A secretária disse que não comentaria a decisão da CMU. Mas, como educadora, ela ressaltou que o assunto foi discutido de forma limitada
Foto/Arquivo
Secretária de Educação, Silvana Elias acompanhou a votação do Projeto de Emenda Constitucional da Ideologia de Gênero
“Sentimento de censura, mordaça”. Pelo menos foi essa a sensação que representantes de entidades dos trabalhadores em Educação passaram após votação do Projeto de Emenda à Lei Orgânica 05/15 que proíbe a Ideologia de Gênero nas escolas do município aprovado pela Câmara Municipal. Junto à secretária de Educação do município, Silvana Elias, eles estiveram na Câmara Municipal de Uberaba (CMU). Após a votação, os representantes dos trabalhadores em Educação e a secretária Silvana Elias deixaram o plenário, sem manifestações.
A secretária disse que não comentaria a decisão da CMU. Mas, como educadora, ela ressaltou que o assunto foi discutido de forma limitada. “A questão da Ideologia de Gênero é muito mais ampla. Prevê o respeito do homem com a mulher, da questão da violência contra a mulher, do respeito e tolerância com as orientações sexuais de cada pessoa”, comentou Silvana Elias.
A secretária lembrou ainda que o Congresso Nacional não discutiu essa questão. Ela frisou que já havia sido aprovado na Casa o Plano Decenal de Educação para o município de Uberaba. “Nós temos que lutar contra a intolerância. O que aconteceu recentemente na França é reflexo do ódio e da intolerância no mundo de hoje”, disse Silvana Elias.
O presidente do sindicato dos Educadores do Município de Uberaba (Sindemu), Adislau Leite, lembrou que o projeto passou na CMU, mas recebeu parecer de inconstitucionalidade da Comissão de Justiça, Redação e Legislação. Ele disse também que os professores não foram consultados sobre a matéria aprovada pelo Legislativo.
Os autores do projeto, vereadores Samuel Pereira (PR) e Afrânio Cardoso (PRTB), informaram que o plenário é soberano para derrubar o parecer e que havia um posicionamento favorável da Procuradoria da Câmara. Adislau falou sobre os riscos de preconceito com a aprovação desse projeto. “Muito me estranha vereadores que se dizem cristãos votarem favoravelmente a esse projeto”, disse o presidente do Sindemu.
O diretor do Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro-MG), Marcos Mariano, disse que apesar da matéria ter cunho político eleitoral por parte de alguns vereadores, os educadores estão preocupados com a intolerância e com o preconceito que a questão tem levantado na sociedade local.
Representantes das entidades estiveram no Ministério Público Estadual, onde solicitaram providências contra a aprovação do projeto.