O Índice Mineiro de Vulnerabilidade Climática (IMVC) é formado por três parâmetros: a sensibilidade, a exposição e a capacidade de adaptação local às mudanças climáticas e seus impactos
Resultado de estudo divulgado ontem pela Fundação Estadual de Meio Ambiente
Uberaba é pouco vulnerável aos efeitos negativos do clima, conforme pesquisa lançada ontem pela Feam (Fundação Estadual de Meio Ambiente). O estudo inédito no país considera 28 indicadores econômicos e socioambientais para avaliar os impactos das mudanças climáticas nos municípios.
O Índice Mineiro de Vulnerabilidade Climática (IMVC) é formado por três parâmetros: a sensibilidade, a exposição e a capacidade de adaptação local às mudanças climáticas e seus impactos. Com isto, a ferramenta permite medir se os municípios de Minas Gerais são suscetíveis ou incapazes de lidar com os efeitos negativos do clima.
Conforme a avaliação, Uberaba apresenta alta sensibilidade às mudanças climáticas. Este parâmetro avalia indicadores como a taxa de famílias inscritas no Cadastro Único do programa Bolsa Família, participação da agropecuária no VAF (Valor Adicionado Fiscal), taxa de mortalidade infantil, proporção de internações por doenças transmitidas pela água, grau de urbanização, índice de cobertura vegetal e disponibilidade hídrica.
Por outro lado, o índice aponta que Uberaba tem exposição moderada às adversidades do clima e possui capacidade elevada de adaptação aos impactos. Por isso, no resultado final o município ficou classificado com vulnerabilidade extremamente baixa aos efeitos negativos do clima.
Para medir a exposição às mudanças climáticas, foram considerados dados locais como a taxa média de perdas econômicas decorrentes de eventos extremos, número de pessoas atingidas, declarações de estado de emergência ou calamidade pública, ocorrência de enchentes ou seca e registro de focos de incêndio. Já a capacidade de adaptação levou em conta o percentual do orçamento municipal destinado às ações ambientais, saneamento e saúde, bem como a taxa de emprego formal e renda per capita da cidade.
A pesquisa também trouxe os resultados por região. No caso do Triângulo Sul, a sensibilidade às mudanças climáticas foi classificada como média, a exposição baixa e a capacidade de adaptação média. Desta forma, o índice apontou que a região possui vulnerabilidade climática moderada.
Em Minas Gerais, 78% das cidades mineiras têm alta sensibilidade às mudanças climáticas e 15% dos municípios estão em áreas de vulnerabilidade extrema. O índice detectou, também, que cerca de mais da metade das cidades mineiras tem uma capacidade relativamente baixa de se adaptar às mudanças do clima e seus efeitos.
O IMVC foi desenvolvido em parceria com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD). O objetivo é prever os riscos gerados pela vulnerabilidade às mudanças climáticas nos municípios mineiros e fornecer subsídios para o planejamento de ações, com a criação de políticas públicas para prevenir danos e adaptar as cidades às mudanças do clima.
A partir de 2016, a Feam fará chamadas públicas para que os municípios interessados em receber apoio técnico do Estado no desenvolvimento de estratégias e políticas públicas focadas na questão ambiental.