POLÍTICA

Sem desfile, escolas de samba boicotam festival e escolha da corte

Sem desfile de rua no carnaval deste ano, as escolas de samba não participarão do festival de samba-enredo e nem inscreverão candidatos

Gisele Barcelos
Publicado em 17/01/2015 às 08:42Atualizado em 17/12/2022 às 01:49
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Sem desfile de rua no carnaval deste ano, as escolas de samba não participarão do festival de samba-enredo e nem inscreverão candidatos para a eleição da corte carnavalesca da cidade. Decisão foi anunciada ontem pelo presidente da Liga das Escolas de Samba, Evaldo Cardoso Alves.

No caso do concurso da corte carnavalesca, a disputa pelos postos de rei Momo, rainha e princesa do carnaval ainda pode acontecer porque não há exigência dos candidatos serem ligados às escolas. Já o festival de samba-enredo depende das propostas enviadas pelas agremiações.

Para o presidente da Liga, não havia intenção de incluir as escolas de samba na programação do carnaval. Ele argumenta que o município não destinou verba para as agremiações, mas viabilizou recursos para bancar shows de quatro bandas nacionais. “Não queriam que a gente desfilasse”, sentenciou.

Alves explica que somente a participação no festival de samba-enredo já representaria custos para as escolas de samba, pois seria necessário contratar o sambista para produzir o material. “Se não vai ter desfile, não tem sentido a gente se envolver”, acrescentou.

Alguns carnavalescos gastaram antecipadamente para preparar a apresentação que não será realizada neste ano. É o caso da iniciante Vai Vai 2000 e a tradicional Bambas do Fabrício.

O diretor financeiro da Vai Vai 2000, Marcos Batista, contou que aproximadamente R$15 mil foram gastos para contratar costureira e comprar materiais e duas máquinas de costura. Os recursos para antecipar os preparativos foram arrecadados em campanhas e promoções realizadas ao longo do ano passado. “Estamos tentando organizar uma apresentação no bairro, mesmo. Se não der certo, vamos empacotar tudo e ver como fica a situação em 2016 ”, disse.

Já a presidente da escola Bambas do Fabrício, Dulce Helena Tiveron, afirmou que depositou R$7.500 para um fornecedor de São Paulo, para garantir os materiais que seriam utilizados em fantasias e carros alegóricos. Sem a verba da Prefeitura, ela cogita tentar o ressarcimento do valor ou terá que estocar os materiais até o próximo carnaval.

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