A possibilidade já vinha sendo debatida há semanas pelo governador Romeu Zema, diante da grave crise financeira do estado
Às vésperas de fechar o mês de abril, menos da metade do valor arrecadado no mesmo mês do ano passado entraram nos cofres públicos do Estado. Dados do Portal da Transparência, confirmados pela Secretaria de Estado de Fazenda, informam que a arrecadação de impostos entre 1º e 24 de abril deste ano foi de R$ 3,1 bilhões. No mesmo mês em 2019, o total arrecadado foi de R$ 5,9 bilhões. A perda de arrecadação deve ser R$ 2,2 bilhões.
O cenário não é favorável ao servidor, que já padece com o parcelamento de salários, ainda mais atrasado durante a pandemia. A possibilidade de não ter dinheiro para pagar o funcionalismo já havia sido aventada pelo secretário de Fazenda, Gustavo Barbosa, em reunião realizada na semana passada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e foi confirmada posteriormente pelo governador Romeu Zema (Novo) à imprensa.
A Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) informou, sobre o assunto, que a "a crise econômica provocada pela Covid-19 agravou a situação fiscal de Minas, que já vinha enfrentando dificuldades e tentando equilibrar as contas públicas" e que o mês de abril "que reflete a arrecadação de março, Minas deve fechar com uma queda de R$1,17 bilhão".
Ainda segundo a secretaria, para o mês de maio, "que reflete a arrecadação de abril, a previsão é de uma queda de R$2,2 bilhões", sendo que a expectativa do governo é de "que as perdas na arrecadação em função da pandemia cheguem a R$ 7,5 bilhões". Se as previsões se concretizarem, o Estado - que já tinha previsão de encerrar 2020 com um déficit de R$ 13,3 bilhões - pode fechar o ano com um rombo de R$ 20,8 bilhões.
Também de acordo com a Seplag, “governo instituiu um plano de redução de despesas em R$ 4,3 bilhões, até o fim do ano, para amenizar os impactos financeiros e garantir a atuação do estado no combate ao coronavírus. O corte não atinge as ações na área da Saúde”. Contudo, não há outras informações sobre como serão feitos esses cortes.