Projeto prevê separar tráfego urbano do fluxo das BRs-050 e 262; agência analisa tecnicamente e ainda não define prazos
Com previsão de crescimento populacional e novos loteamentos na região, uma proposta alternativa para o trevo do Maracanã foi apresentada à ANTT com a promessa de evitar que o gargalo atual se repita em poucos anos. O projeto foi apresentado em reunião esta semana, em Brasília, por comitiva de Uberaba. O plano prevê viaduto na Adail Gomes e intervenções para separar o tráfego urbano do fluxo das BRs-050 e 262. A perspectiva, segundo os envolvidos, é aguardar a análise técnica da agência, ainda sem prazo para resposta.
A proposta foi detalhada no JM News, da Rádio JM, pela vereadora Lu Fachinelli, pela presidente de associação do bairro Maracanã, Juliana Pereira, e pelo engenheiro David Santos. Lu afirma que o texto levado a Brasília foi construído após reuniões e audiências públicas com participação de moradores e técnicos. “Nós fizemos várias reuniões para que a vontade popular de quem passa pelo Trevo do Maracanã todos os dias tivesse voz e fosse ouvida”, diz.
Ela ressalta que o grupo buscou unificar diferenças por meio da Comissão Municipal de Mobilidade Urbana (Comusul). Segundo a parlamentar, a proposta foi bem recebida, embora não tenha sido definida uma data para execução das intervenções. “Nós não saímos de lá com uma data certa, mas a receptividade foi muito boa”, afirma.
O engenheiro David Santos explica que o projeto defendido pela comitiva tenta eliminar o “trânsito em X”, quando veículos de longa distância cruzam o fluxo urbano no entroncamento. A alternativa apresentada prevê passagens em desnível e um viaduto na avenida Adail Gomes para separar o tráfego das rodovias do trânsito local. “A ideia é segregar o trânsito de longa distância do trânsito urbano para reduzir acidentes e melhorar a fluidez”, explica.
Segundo ele, os dados apresentados na reunião apontam fluxo de cerca de 62 mil veículos por dia no entroncamento das BRs, enquanto a avenida Filomena Cartafina (AMG-2595) reúne trânsito de 132 mil veículos diariamente. “Ali não passa só o pessoal da zona sul. Praticamente toda a cidade passa por aquele trevo”, diz. Ele acrescenta que a região deve receber novos loteamentos, com previsão de até 4 mil lotes, o que pode representar entre 10 mil e 15 mil veículos a mais nos próximos anos. Nesse sentido, Lu Fachinelli reforça que a solução precisa ser pensada a longo prazo.
A solução é defendida também pela presidente de associação do bairro Maracanã. Juliana Pereira. Segundo a ativista, moradores e trabalhadores da região conhecem de perto as dificuldades enfrentadas no acesso ao bairro e ao entorno, cujo crescimento é inegável. “Quem frequenta aquele pedaço ali somos nós. Quem entende melhor o que está passando ali somos nós”, disse.
Na avaliação de Juliana, algumas mudanças apresentadas anteriormente não atenderiam à realidade de quem utiliza o trecho diariamente. “Do jeito que foi apresentado, não tinha jeito. Para entrar no Maracanã, a pessoa teria que ir longe para voltar. Só quem passa ali todo dia sabe como é”, pondera.
A obra global apresentada pelo grupo tem custo estimado em cerca de R$ 250 milhões, sendo o viaduto na avenida Adail Gomes responsável por aproximadamente R$ 25 milhões, segundo a vereadora. De acordo com a parlamentar, o conceito apresentado envolve obra em área urbana, o que não envolve obrigação direta da ANTT, mas é possível negociar. “É uma obra com custo-benefício e com o desafogamento que a gente precisa”, declara.
David Santos avalia que a obra completa pode levar de dois a três anos para ser concluída, enquanto intervenções pontuais poderiam ser executadas em prazo menor. “A situação que já está ruim pode ficar pior durante a obra, por isso a gente defende soluções que já tragam alívio imediato”, afirma.
Até o momento, segundo os representantes, a ANTT deve analisar tecnicamente o material apresentado, sem definição de prazo para retorno e sem cronograma para execução das intervenções. Visita dos técnicos da agência é aguardada para a semana posterior ao carnaval, quando novas deliberações devem ser divulgadas.
Entenda o caso
A discussão sobre intervenções na BR-050 em Uberaba ganhou um cronograma formal em julho de 2025, após tratativas na ANTT. Na ocasião, representantes do município informam que a concessionária Ecovias Minas Goiás confirmou etapas como instalação de passarelas, conclusão da travessia inferior no Cascata para maio de 2026 e início da “grande obra” no trevo do Jardim Maracanã para novembro de 2026.
Já em fevereiro de 2026, uma comitiva de Uberaba voltou a Brasília para apresentar à ANTT e à Ecovias uma proposta alternativa para o trevo das BRs-050 e 262, defendendo a inclusão de um viaduto na avenida Adail Gomes (ligando São Cristóvão e Maracanã) e outras mudanças para melhorar a mobilidade. Segundo a publicação, a Ecovias se compromete a avaliar se integra o viaduto ao projeto do trevo ou se a obra fica sob responsabilidade da Prefeitura.
No mesmo encontro, o grupo também cobra a retomada das passarelas de pedestres paralisadas no fim do ano, e a concessionária informa que está contratando nova construtora e promete solução até julho.