Presidente da Vale – função para a qual não requereu licença –, Murilo pediu afastamento da presidência do Conselho até 30 de novembro
Petrobras comunicou ontem o afastamento de Murilo Ferreira da presidência do Conselho de Administração da petrolífera até o dia 30 de novembro. A estatal não informou os motivos para a licença.
Um relatório divulgado ontem aos investidores pelo Bank of America analisou que o afastamento temporário de Ferreira indica possíveis tensões no Conselho e na gestão da Petrobras. Além disso, o documento aponta que a situação gera receios quanto à independência do Conselho, que poderia voltar às mãos de um nome ligado ao Palácio do Planalto.
O uberabense continua exercendo normalmente o cargo de presidente da Vale. Em nota, a mineradora informou que Murilo pediu licença do Conselho da Petrobras até o fim de novembro por razões particulares. A empresa não posicionou se Murilo reassumirá o cargo na petrolífera a partir de 1º de dezembro ou se planeja um desligamento definitivo. O executivo não foi localizado para falar sobre o assunto.
Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, declarou ontem que a saída de Murilo da presidência do Conselho é apenas temporária.
O suplente do uberabense é Clóvis Torres, que é consultor da Vale. Conforme a assessoria de imprensa da mineradora, Torres também pediu licença do Conselho Administrativo da Petrobras para dar liberdade aos demais membros do órgão para nomearem um presidente interino entre os integrantes titulares.
A Petrobras informou que, em reunião extraordinária realizada nesta segunda (14), seu Conselho de Administração elegeu o conselheiro Luiz Nelson Guedes de Carvalho para assumir interinamente a presidência do colegiado. Guedes é economista formado pela USP e especialista em contabilidade e auditoria. É membro da Academia Brasileira de Ciências Contábeis e atuou como árbitro na Câmara Internacional de Arbitragem. Sua indicação partiu do acionista controlador, a União Federal, e o faz ficar no cargo até o fim da licença de Ferreira, no dia 30 de novembro.
Nos bastidores, o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, chegou a articular para que Luciano Coutinho, presidente do BNDES, fosse indicado.