Um sentimento de remorso, de arrependimento, parece tomar conta da Câmara Municipal ou de pelo menos uma parte dos 14 vereadores
Um sentimento de remorso, de arrependimento, parece tomar conta da Câmara Municipal de Uberaba (CMU) ou de pelo menos uma parte dos 14 vereadores. Essa é a sensação que ficou após a realização da audiência pública para prestação de contas da Secretaria de Saúde do primeiro quadrimestre do ano.
Em meio às discussões, os vereadores Marcelo Borjão (PR), presidente da Comissão Permanente de Saúde da Casa, e Samuel Pereira (PR) voltaram à carga contra a organização social (OS) Pró-Saúde, que administra as duas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs). Borjão até propôs o retorno do pedido de implantação de uma Comissão Especial Processante (CEP) para investigar a prestação de serviços da OS.
Um pedido já foi recusado pela Câmara no ano passado, após a realização de uma Comissão Especial de Investigação (CEI), cujo relatório final sugeriu a criação da CEP. “Vou solicitar um estudo de minha assessoria jurídica para analisarmos a possibilidade de apresentar mais um pedido de criação da CEP da Pró-Saúde”, disse Borjão.
Tanto ele quanto Samuel Pereira assumiram que votaram pela contratação da OS, mas que agora se dizem arrependidos pela chancela que concederam ao município de contratar a Pró-Saúde. E eles garantem que irão trabalhar para que a organização deixe de ser a responsável pela gestão das UPAs. Na opinião deles, o gerenciamento caberia ao município.
O conselheiro estadual de Saúde, Jurandir Sebastião, disse que na época da aprovação do projeto trabalhou no sentido de alertar o Legislativo que a contratação da OS não seria positivo para a Saúde em Uberaba. “Enviei inúmeros e-mails aos vereadores com o alerta. A contratação não seria benéfica. Mas o projeto foi aprovado”, lamentou.
Borjão pediu ajuda dos conselheiros de Saúde do município e do Estado para conseguirem a abertura de uma CEP sobre a Pró-Saúde. De acordo com a diretora-executiva da Secretaria de Saúde, Luciane Fernandes, nos primeiros quatro meses do ano foram repassados à OS mais de R$10 milhões.