A viagem da comitiva de Uberaba à China tem sido defendida pela Prefeitura como uma missão institucional voltada à atração de investimentos e à ampliação de relações econômicas e turísticas. No entanto, a ausência de definição prévia de resultados concretos e a falta de detalhamento sobre os custos totais da agenda têm alimentado questionamentos sobre a efetividade da iniciativa.
Em entrevista ao Pingo do J, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Inovação, Celso Neto, afirmou que a viagem não tem caráter turístico e que o objetivo é posicionar Uberaba no cenário internacional, especialmente junto a governos provinciais chineses e potenciais investidores. Segundo ele, a presença de representantes do Executivo na comitiva seria estratégica para dar maior peso institucional às negociações.
“A importância do Mauricinho estar lá, hoje ele é a pessoa da confiança da prefeita para representar ela institucionalmente, onde ela não pode estar em todos os momentos. Então ele é, sim, a pessoa que estende o mandato da prefeita onde ela não pode estar. Isso para os orientais é de fundamental importância”, afirma.
Apesar disso, o secretário reconheceu que não há garantia de anúncios imediatos ao retorno da missão. “É o nosso desejo, mas não depende só da gente. A gente depende da decisão deles lá e do nosso convencimento, para que eles assinem logo e possam escolher Uberaba como destino de investimentos”, explica.
Outro ponto que tem gerado debate é a justificativa econômica apresentada para a missão, que inclui a tentativa de atrair investimentos em turismo, hotelaria e infraestrutura. O secretário citou a possibilidade de apresentar dados de ocupação hoteleira da cidade como argumento para futuros investidores, embora tenha reconhecido que o perfil de investimento chinês nesse setor não é comum.
Ele afirma que, mesmo assim, os dados locais serão usados na apresentação. “Nós estaremos entregando nas mãos dos empresários chineses e das autoridades chinesas o nosso fluxo mensal de hospedagens nos nossos hotéis, para mostrar para eles que o ano passado o pior mês de Uberaba na ocupação da rede hoteleira foi 70%”, pontua.
No campo da indústria, foram mencionadas tratativas envolvendo insumos agrícolas e máquinas voltadas ao agronegócio, além de estudos sobre possíveis investimentos no setor de terras raras na região de Uberaba. Ainda assim, os projetos são descritos como em fase inicial ou de prospecção, sem contratos assinados até o momento.
A falta de definição de empresas, valores e resultados concretos antes da viagem também foi um dos pontos questionados. O secretário afirmou que a prestação de contas será feita após o retorno e que os custos variam conforme a duração da agenda, sem apresentar estimativa final de despesas. “A prestação de contas está disponível para todo mundo, como toda viagem que a gente faz. Não tem como a gente precisar agora. O valor ele é determinado de acordo com a quantidade de dias que você vai ficar lá e você devolve aquilo que você não tiver utilização quando o aspecto de reembolso”, ressalta.
A viagem ocorre em meio a um cenário de expectativa sobre possíveis investimentos estrangeiros no município, mas ainda sem garantias de desdobramentos imediatos ou confirmação de projetos fechados durante a agenda internacional.