O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) criticou o reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo federal e classificou como “oportunismo” a decisão de elevar os valores do programa a poucas semanas das eleições.
Em entrevista à Itatiaia nesta sexta-feira (18), Zema afirmou que é favorável à atualização do benefício, mas questionou o período escolhido para a medida.
“Esse momento pré-eleitoral é um oportunismo”, afirmou o candidato.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou na quinta-feira (17) um reajuste de 15,04% nos valores do Bolsa Família.
Com a atualização, o benefício mínimo por família passa de R$ 600 para R$ 691. Já o valor médio estimado sobe de R$ 675 para R$ 777.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, a correção recompõe a inflação medida pelo INPC acumulado entre março de 2023 e agosto de 2026. A mudança foi oficializada pelo Decreto nº 13.120.
Os novos valores serão considerados na folha de outubro e começarão a ser disponibilizados aos beneficiários a partir de 19 de outubro, conforme o calendário do programa.
O governo federal afirma que o reajuste representa uma recomposição das perdas inflacionárias e não a criação de um novo benefício.
A Advocacia-Geral da União (AGU) também sustenta que a atualização não amplia o número de famílias atendidas pelo programa.
O reajuste terá impacto fiscal estimado em R$ 5,8 bilhões em 2026. Para 2027, o custo adicional previsto é de aproximadamente R$ 22 bilhões.
A declaração de Zema ocorre durante a campanha para as eleições de 2026. O primeiro turno está previsto para outubro, e o reajuste anunciado pelo governo passará a valer antes da votação.
Além de questionar o momento do anúncio, Zema defendeu mudanças no funcionamento do Bolsa Família e afirmou que o programa deveria priorizar determinados grupos e estimular a inserção dos beneficiários no mercado de trabalho.
A crítica do candidato é uma avaliação política sobre a oportunidade da medida. Já o governo apresenta o reajuste como uma correção dos valores pela inflação acumulada desde a reformulação do programa em 2023.