
Cumprindo agenda em Uberlândia ontem para acompanhar a vacinação contra a Covid-19 no município, o governador Romeu Zema (Novo) respondeu a críticas sobre disparidades no quantitativo de vacinas repassado às cidades mineiras e demora em avanço da imunização em alguns locais.
A comitiva do governo mineiro chegou a Uberlândia no fim da manhã de ontem e visitou um dos pontos de vacinação na cidade. Zema foi questionado sobre o motivo de Uberlândia ter recebido menos doses do governo estadual do que municípios menores.
O comparativo foi feito com Juiz de Fora. Enquanto Uberlândia recebeu 160,5 mil doses de imunizantes e tem 700 mil habitantes, Juiz de Fora, por exemplo, recebeu 193,7 mil unidades de vacinas, para uma população de 573,2 mil pessoas.
Zema alegou que a distribuição dos imunizantes seguiu o Plano Nacional de Imunização. “Nós fazemos distribuição de acordo com esses dados [do governo federal]. Não sabemos se há desatualização, mas isso faz com que vacinas a mais ou a menos cheguem às cidades”, disse.
Apesar das divergências, o governador afirmou que na próxima semana a vacinação no Estado vai abranger pessoas entre 60 e 64 anos. Uma nova remessa de imunizantes está prevista para ser entregue nesta sexta-feira (23) para suprir a demanda de Minas Gerais.
Acompanhando a visita no Triângulo Mineiro, o secretário estadual de Saúde, Fábio Baccheretti, também defendeu que pode haver distorções na distribuição das vacinas porque o tamanho dos grupos prioritários é diferente entre os municípios. “O grupo prioritário pode ser desproporcional ao número de habitantes”, argumentou.
O titular da pasta ainda manifestou que as disparidades tendem a acabar quando for concluída a imunização dos grupos prioritários, pois o critério será o tamanho da população restante.
Em Uberaba, questionamentos também vêm sendo feitos sobre a demora para avanço na aplicação da primeira dose da vacina contra a Covid-19. O município ainda está atendendo a faixa etária a partir de 66 anos, enquanto Belo Horizonte anunciou ontem o início da imunização para idosos de 61 anos ou mais.
Baccheretti espera que estoques de medicamentos para intubação sejam restabelecidos em até 2 meses
Em visita a Uberlândia ontem, o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, declarou que espera que os estoques de medicamentos usados na intubação de pacientes graves sejam restabelecidos no Estado em até dois meses.
Devido ao desabastecimento, o Hospital Regional em Uberaba chegou a fechar leitos de UTI e suspendeu temporariamente a admissão de pacientes intubados para que o uso de insumos fosse racionado. No Triângulo Mineiro, a mesma medida foi adotada em estabelecimentos de Ituiutaba e Araguari por causa da escassez dos sedativos no estoque.
Um carregamento emergencial foi distribuído no último fim de semana, mas ainda não é suficiente para regularizar o abastecimento geral dos hospitais em Minas Gerais. Apenas 20 estabelecimentos foram atendidos e Uberaba não foi contemplada.
Segundo o secretário, o Estado deve receber até o fim de maio, por exemplo, 400 mil ampolas de fentanil, que é usado em conjunto com outras substâncias para anestesiar pacientes. “Daqui a um ou dois meses conseguiremos garantir até 30 dias de estoque (de medicamentos para intubação)”, posicionou, ressaltando que o governo está com processos de compra de bloqueadores neuromusculares e sedativos em andamento.