SEM PÂNICO

Após casos em cruzeiro, médicos explicam riscos do hantavírus e afastam pânico no Brasil

Doença pode evoluir para quadro grave, mas transmissão entre pessoas é rara e cenário nacional é considerado estável

Débora Meira
Publicado em 16/05/2026 às 09:19
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou a ocorrência de casos de hantavírus em passageiros de um cruzeiro de luxo e segue investigando um surto internacional que já registra mortes e infecções em diferentes países. O episódio ocorre em meio à confirmação de um óbito no Brasil em 2026, o que reforça a atenção das autoridades de saúde para a doença. 

Em entrevista ao Pingo do J, a infectologista Daniele Maciel explica que o hantavírus é uma doença viral aguda que pode ter evolução rápida e início semelhante a outras infecções respiratórias. “No início, pode parecer uma gripe comum, com febre, dor no corpo e dor de cabeça, mas pode evoluir rapidamente para um quadro respiratório grave”, afirma. 

Daniele destaca que a principal forma de transmissão ocorre pela inalação de partículas presentes em excretas de roedores silvestres, especialmente em ambientes rurais ou locais fechados e mal ventilados. Segundo a médica, a doença, em geral, não é transmitida entre pessoas, o que reduz o risco de grandes surtos. 

A infectologista também reforça que a prevenção é essencial, especialmente em áreas rurais. Entre as medidas citadas estão evitar varrer locais secos, manter alimentos protegidos, garantir ventilação adequada de ambientes e reduzir o contato com possíveis focos de roedores. 

Nesse sentido, o infectologista Frederico Zago afirma que o cenário no Brasil é considerado estável e sem sinais de alerta. “No Brasil temos casos de hantavirose desde a década de 90 e eles estão controlados, com um número pequeno de casos a cada ano. Nesse momento não há nenhum motivo para alarme em nosso país”, pontua. 

Ele explica que em menor frequência, a transmissão pode acontecer por contato direto ou ingestão de alimentos contaminados. Zago destaca ainda que a transmissão entre humanos é extremamente rara e depende de variantes específicas. “A transmissão entre humanos ocorre apenas na cepa Andes, detectada no navio e em países como Argentina e Chile. No Brasil, essa cepa não circula”, diz. 

Segundo ele, os grupos mais expostos são trabalhadores rurais e pessoas que atuam em ambientes como silos, paióis e fazendas, onde há maior presença de roedores silvestres. O médico orienta que a procura por atendimento deve ser imediata quando há sintomas associados a histórico de exposição em ambientes de risco. 

Apesar da gravidade dos casos individuais, ambos os especialistas reforçam que o cenário geral não indica risco de disseminação ampla da doença. 

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