Psicóloga explica como carga mental, cobranças sociais e acúmulo de funções podem levar à exaustão física e emocional
Entre tarefas práticas, cobranças sociais e uma carga mental constante, muitas mães vivem uma rotina de exaustão que tem sido chamada popularmente de “burnout materno”. Embora o termo não seja oficialmente reconhecido como diagnóstico, especialistas alertam para os impactos emocionais e físicos da sobrecarga enfrentada por mulheres que acumulam funções dentro e fora de casa.
A sensação de esgotamento tem se tornado cada vez mais comum entre mães que conciliam trabalho, cuidados com os filhos e responsabilidades domésticas. O chamado “burnout materno” passou a ser utilizado para descrever essa sobrecarga física e emocional vivida diariamente por muitas mulheres.
A psicóloga Thais Pereira explica que o termo surgiu como uma tentativa de nomear um sofrimento relacionado ao excesso de demandas enfrentadas pelas mães. “O burnout hoje é reconhecido como uma doença ocupacional. Mas o termo burnout materno acabou surgindo para tentar explicar esse excesso de trabalho vivido pelas mães”, afirma.
Segundo a especialista, além das tarefas práticas, existe uma carga mental permanente que acompanha muitas mulheres ao longo do dia. “Muitas mães falam de uma sensação de não conseguir descansar nem dentro da própria cabeça. É pensar o tempo todo se a criança levou a blusa, se precisa comprar algo no supermercado, se está na hora de marcar vacina. É uma carga mental constante”, destaca.
A psicóloga explica que o acúmulo dessas preocupações diárias pode gerar uma sensação contínua de alerta e desgaste emocional. “São tarefas mentais junto com as tarefas práticas do cotidiano que geram uma sensação de exaustão real, física e emocional”, disse.
Thais Pereira também ressalta que muitas mulheres têm dificuldade em reconhecer a própria sobrecarga devido às cobranças sociais relacionadas à maternidade. “Existe uma crença muito forte de que a mãe não pode reclamar, que ela precisa dar conta de tudo. Isso dificulta até o reconhecimento do próprio sofrimento”, afirma.
Para a especialista, compreender os próprios limites e buscar apoio é fundamental para evitar o agravamento do esgotamento emocional. “Se sentir sobrecarregada ou precisar de ajuda não tem relação nenhuma com amar menos o filho ou ser uma mãe pior”, pontua.
Ela ainda defende a importância da divisão de responsabilidades dentro da rotina familiar. “Delegar é importante. O pai, os avós, professores e outras pessoas podem colaborar. Cada um vai fazer dentro das suas possibilidades, e isso não tira da mãe o lugar de cuidado e autoridade”, explica.
Além do desgaste emocional, a psicóloga alerta que a exaustão constante pode afetar diretamente a relação da mulher com a maternidade e comprometer momentos de lazer e descanso. “Assim como acontece no burnout ligado ao trabalho, essa exaustão vai minando o prazer. A mãe começa a não conseguir aproveitar momentos de lazer, fica mais estressada e perde a capacidade de relaxar”, conclui.