CUIDADO

“Canetas emagrecedoras” podem trazer riscos a crianças e adolescentes, alerta SBP

Uso sem indicação e acompanhamento médico pode afetar crescimento, causar desidratação, perda de massa muscular e outros problemas de saúde

Publicado em 24/08/2026 às 09:28
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A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou um alerta sobre o uso sem indicação e acompanhamento médico de medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” por crianças e adolescentes. Segundo a entidade, embora esses medicamentos possam ser utilizados em casos específicos, a banalização do tratamento e o uso com finalidade exclusivamente estética podem trazer riscos.

Os medicamentos são da classe dos agonistas do receptor GLP-1 e possuem indicações específicas, como o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. A SBP ressalta, porém, que mesmo quando há diagnóstico dessas doenças, a prescrição não é automática.

Entre os possíveis riscos do uso inadequado estão déficit de crescimento e desenvolvimento, desidratação, alterações nos níveis de eletrólitos, perda de massa muscular, pancreatite aguda e problemas na vesícula.

A entidade também alerta para os efeitos relacionados à saúde mental. O uso com objetivo exclusivamente estético pode contribuir para o surgimento de transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, além de ansiedade e quadros depressivos relacionados à imagem corporal.

Segundo a SBP, antes de indicar esse tipo de medicamento, o médico deve avaliar a resposta do paciente a tratamentos anteriores, a gravidade da doença, a existência de outras condições de saúde, os possíveis riscos, a possibilidade de acompanhamento adequado e as expectativas da criança, do adolescente e da família.

A entidade também recomenda evitar o uso de produtos sem procedência ou registro sanitário, incluindo preparações clandestinas, manipuladas ou importadas sem registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Quais são os efeitos colaterais?

Os efeitos adversos mais comuns são gastrointestinais e podem aparecer principalmente durante o aumento gradual das doses. Entre eles estão:

  • náuseas;
  • vômitos;
  • refluxo;
  • azia;
  • diarreia;
  • constipação.

A perda de massa magra também é apontada como um possível problema e deve ser acompanhada por profissionais de saúde. Entre os eventos potencialmente graves estão pancreatite, hipoglicemia e colelitíase, conhecida como formação de pedras na vesícula.

A SBP destaca que existem evidências de eficácia e segurança desses medicamentos em adolescentes quando utilizados dentro dos critérios estudados e associados a mudanças no estilo de vida. O alerta, segundo a entidade, está principalmente na banalização do uso, especialmente nas redes sociais.

A recomendação é que adolescentes com peso adequado não utilizem esses medicamentos simplesmente para modificar a aparência ou alcançar determinado padrão estético.

A SBP ainda contraindica os medicamentos para pessoas com hipersensibilidade aos princípios ativos ou componentes da fórmula, gestantes e lactantes e pacientes com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2. Casos de pancreatite anterior exigem avaliação médica individualizada.

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