Dormir bem vai além do descanso. A qualidade do sono influencia o funcionamento do cérebro, a saúde cardiovascular, o metabolismo e até a capacidade de manter a memória. Em entrevista ao JM News, a neurologista Camila Batalha alertou que a privação de sono pode aumentar em até três vezes o risco de AVC e trazer prejuízos que se acumulam ao longo do tempo.
Segundo a especialista, dormir menos do que o recomendado está diretamente associado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares. "Quem dorme menos de seis horas aumenta o risco três vezes mais de ter um AVC", afirma.
Além do impacto sobre o sistema cardiovascular, Camila explica que é durante o sono que o organismo realiza processos essenciais para a manutenção da saúde. Nesse período, o corpo regula funções hormonais, metabólicas e inflamatórias, que influenciam desde o controle do colesterol até a dificuldade para perder peso. "Durante a noite é onde eu estou restaurando todas as funções fisiológicas no meu corpo. A dificuldade de emagrecimento, de controlar colesterol e triglicerídeos, também está relacionada ao sono", explica.
A neurologista destaca que o sono também exerce papel fundamental na saúde do cérebro. É durante o sono profundo que ocorre a consolidação das memórias e a eliminação de substâncias que, quando acumuladas, estão relacionadas a doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. "O sono profundo consolida a memória. É durante esse período que o cérebro faz essa 'limpeza' das proteínas que podem se depositar entre os neurônios", disse.
Segundo ela, esse processo torna a qualidade do sono tão importante quanto a quantidade de horas dormidas.
De acordo com Camila Batalha, a necessidade de sono varia conforme a idade, mas a maioria dos adultos deve dormir, em média, sete horas por noite. "Conforme aumenta a idade, o tempo de sono tende a diminuir. Em adultos, esperamos cerca de sete horas; já acima dos 55 ou 60 anos, esse tempo costuma ficar em torno de seis horas", explica.
Ela ressalta, no entanto, que algumas pessoas conseguem dormir menos horas sem apresentar sonolência durante o dia. Ainda assim, isso não significa que o organismo esteja livre dos efeitos da privação crônica de sono. "A longo prazo, esses pacientes podem apresentar transtornos cognitivos e esquecimentos", alerta.
Para quem sente necessidade de descansar após o almoço, a neurologista afirma que cochilos curtos podem trazer benefícios. "Um cochilo de até 40 minutos após o almoço pode ser revitalizante. Já dormir durante boa parte do dia pode indicar que o sono da noite não está sendo adequado e ainda prejudicar o descanso noturno", pontua.
Além de manter horários regulares para dormir e acordar, Camila recomenda a prática de atividade física, alimentação equilibrada, controle de fatores de risco como obesidade, colesterol elevado e diabetes, além de evitar o tabagismo.
A especialista também orienta reduzir o uso de telas antes de dormir e manter o quarto escuro e silencioso, favorecendo um sono de melhor qualidade. "O sono é fundamental para a memória, para a cognição e para todo o funcionamento do organismo. Não é apenas uma questão de descansar, mas de proteger o cérebro e o corpo", conclui.