MAIO VERMELHO

Ferida na boca que não cicatriza em 15 dias pode ser sinal de câncer; entenda

Oncologista alerta que diagnóstico precoce aumenta chances de cura e reduz tratamentos agressivos

Débora Meira
Publicado em 26/05/2026 às 10:47
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O Maio Vermelho é a campanha nacional de conscientização voltada para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de boca. Em Uberaba, o fluxo de atendimento para suspeitas de câncer de boca começa pela Atenção Básica do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). 

Segundo Rafael Scandiuzzi, médico oncologista do Hospital Hélio Angotti, o câncer de boca ainda é frequentemente diagnosticado tardiamente, o que impacta diretamente nas chances de cura. “Infelizmente, a maioria dos pacientes ainda chega em estágios avançados. Isso reduz muito a possibilidade de tratamentos menos agressivos e de melhores resultados”, afirma. 

Ele destaca que a Atenção Básica tem papel fundamental no encaminhamento correto dos casos suspeitos. “O primeiro passo é a UBS. Qualquer lesão que não cicatriza em até 15 dias precisa ser investigada. O encaminhamento precoce muda completamente a evolução da doença”, explica. 

Segundo Scandiuzzi, o diagnóstico precoce é o principal fator de sucesso no tratamento. “Quando a doença é identificada no início, conseguimos evitar cirurgias mutiladoras, reduzir a necessidade de quimioterapia e radioterapia intensas e aumentar de forma significativa as chances de cura”, diz. 

Após a avaliação inicial na UBS, em caso de suspeita de lesão, o paciente é encaminhado para investigação na rede secundária. O material coletado é submetido à biópsia e análise anatomopatológica. “O diagnóstico depende dessa sequência organizada: UBS, encaminhamento, biópsia e confirmação. É um fluxo que precisa funcionar bem para não haver atraso”, detalha o oncologista. 

Com a confirmação do diagnóstico, o caso é regulado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e encaminhado para centros de alta complexidade em oncologia (UNACON), como o Hospital Hélio Angotti e o Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). 

O Hospital Hélio Angotti também intensifica ações de conscientização durante o Maio Vermelho, com campanhas informativas em murais, vídeos e redes sociais voltadas à prevenção. “O mais importante ainda é a informação. Muitas lesões iniciais não doem e acabam sendo ignoradas. Por isso, o paciente demora a procurar ajuda”, alerta Scandiuzzi. 

No Brasil, o câncer de boca registra entre 15 mil e 17 mil novos casos por ano, segundo estimativas da área da saúde. Apesar da estabilidade nos números gerais, especialistas apontam mudanças no perfil dos pacientes, com aumento de casos entre adultos jovens e mulheres, além de diagnósticos associados ao vírus HPV. 

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a maioria dos casos ainda é identificada em estágio avançado, o que reduz as chances de cura e dificulta o tratamento. “O grande problema ainda é o diagnóstico tardio. Quando isso acontece, o tratamento se torna mais complexo e invasivo”, reforça o médico. 

O perfil mais comum continua sendo de homens acima dos 40 anos, com histórico de tabagismo e consumo frequente de álcool. “O tabagismo ainda é o principal fator de risco, responsável pela maior parte dos casos. Quando associado ao álcool, o risco aumenta ainda mais”, explica Scandiuzzi. 

Outros fatores incluem exposição solar sem proteção, especialmente em casos de câncer de lábio inferior, má higiene bucal, próteses mal ajustadas e dieta pobre em frutas e vegetais. 

Casos relacionados ao Papilomavírus Humano (HPV) também têm crescido, atingindo pacientes sem histórico de tabagismo ou consumo de álcool, principalmente na região de amígdalas e base da língua. “Esse perfil vem mudando aos poucos. O HPV tem papel importante em alguns casos, principalmente em regiões mais posteriores da boca e garganta”, observa. 

Entre os principais sintomas estão feridas na boca ou nos lábios que não cicatrizam por mais de 15 dias, manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, nódulos persistentes na cavidade oral ou no pescoço, além de dor ou dificuldade para mastigar, engolir ou falar. “Qualquer lesão que persista por mais de duas semanas precisa ser avaliada. Esse é o principal alerta que a população deve ter”, reforça o oncologista. 

Rouquidão persistente, sensação de algo preso na garganta e áreas de dormência na boca também são sinais de alerta. “São sintomas muitas vezes ignorados no início, mas que podem indicar algo mais sério”, completa.

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