Especialista reforça que sintomas persistentes não devem ser ignorados e precisam de avaliação médica
O mês de conscientização Maio Cinza chama atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce dos tumores cerebrais. A campanha busca alertar a população sobre sinais neurológicos que podem indicar a presença da doença e reforçar a importância da busca por atendimento médico especializado.
Segundo a neurologista Christiane Borges, os tumores cerebrais são caracterizados pelo crescimento desordenado de células no sistema nervoso central, formando massas que podem comprometer diferentes funções do cérebro. “Os tumores são células que começam a se multiplicar de forma desordenada em algum ponto cerebral, gerando uma tumoração com crescimento exagerado em determinada área”, afirma.
(Foto/Reprodução)
A especialista explica que os tipos mais comuns variam conforme a idade. Na infância, predominam os gliomas de baixo grau, como o astrocitoma pilocítico, enquanto entre os tumores malignos infantis o meduloblastoma é o mais frequente.
Já na vida adulta, os mais comuns são os meningiomas — geralmente benignos — e os glioblastomas, considerados os tumores malignos mais frequentes nessa faixa etária. “Mais de 40% dos tumores benignos primários do sistema nervoso central são meningiomas”, explica.
A neurologista destaca que os sinais de alerta geralmente surgem de forma gradual, o que diferencia os tumores de outras condições neurológicas, como o AVC. “Diferente do AVC, que é súbito, no tumor a perda neurológica é progressiva. O paciente vai perdendo função aos poucos, conforme a lesão cresce”, afirma.
Entre os principais sintomas estão dores de cabeça persistentes, embaçamento visual, perda de força ou sensibilidade e outras alterações neurológicas progressivas. “Dor de cabeça que piora ao deitar ou em situações de esforço pode ser sinal de hipertensão intracraniana”, alerta.
Ela reforça que sintomas persistentes não devem ser normalizados. “Não é normal ter dor de cabeça recorrente, nem alterações visuais ou neurológicas persistentes. Isso precisa ser investigado”, diz.
De acordo com a especialista, os principais exames utilizados na investigação são a tomografia de crânio e a ressonância magnética do encéfalo, que permitem identificar e avaliar o tamanho das lesões. “São os dois exames de maior acurácia para visualizar a lesão e definir a conduta”, explica. Em alguns casos, pode haver indicação de biópsia para confirmação diagnóstica e definição do tratamento.
A neurologista explica que nem todos os casos exigem cirurgia imediata. Em tumores benignos e assintomáticos, o acompanhamento pode ser suficiente. “Se for um tumor assintomático, a gente apenas acompanha o crescimento e observa a evolução”, afirma.
Entre os fatores de risco comprovados, ela destaca a exposição à radiação ionizante e síndromes genéticas hereditárias. “Esses são os principais fatores comprovados. Outros ainda não têm evidência tão consolidada”, diz.
A especialista reforça que o diagnóstico precoce é determinante para o sucesso do tratamento. “Tempo é cérebro. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhor o prognóstico e maiores as chances de um tratamento menos agressivo”, afirma.
Por fim, a neurologista alerta para a demora na procura por atendimento, que pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento. “As pessoas demoram a procurar ajuda e muitas vezes normalizam sintomas que não deveriam ser ignorados”, conclui.