CUIDADO COM O CORAÇÃO

“Nenhum candidato vale um infarto”: cardiologista alerta para estresse nas eleições

Discussões intensas podem elevar pressão e batimentos, principalmente em pessoas com risco cardiovascular

Débora Meira
Publicado em 03/10/2026 às 09:40
Compartilhar

O período eleitoral costuma ser marcado por discussões, ansiedade e forte envolvimento emocional. Em situações de estresse intenso, o organismo libera substâncias como adrenalina e cortisol, que podem elevar a pressão arterial e acelerar os batimentos cardíacos. Segundo o médico cardiologista Raelson Batista, esses efeitos podem aumentar o risco de eventos cardiovasculares, principalmente entre pessoas que já possuem doenças cardíacas ou fatores de risco. 

Em entrevista ao Jornal da Manhã, o médico explica que o organismo reage à tensão independentemente da origem da emoção. Uma discussão política, por exemplo, pode provocar uma resposta física semelhante à de outras situações de estresse. “O coração não sabe diferenciar se a raiva vem de uma briga no trânsito ou de uma discussão política no grupo da família”, explica. 

Segundo Batista, pessoas com doença nas coronárias, histórico de infarto, arritmia ou pressão arterial mal controlada têm maior dificuldade para suportar esses picos de estresse. Em quem já apresenta alterações cardiovasculares, o aumento repentino da pressão e da frequência cardíaca pode representar um risco maior. 

O cardiologista também cita estudos que apontam aumento de eventos cardíacos em períodos de grande carga emocional coletiva, como finais de campeonatos esportivos e eleições muito disputadas. A orientação, segundo ele, não é evitar o debate político, mas reconhecer os próprios limites quando a tensão começa a provocar efeitos físicos. “Se a discussão está tirando seu sono ou deixando você com o coração disparado, saia dela. Nenhum candidato vale um infarto”, orienta. 

Além da tensão provocada pelas disputas políticas, o consumo de álcool durante comemorações também pode contribuir para problemas cardiovasculares. De acordo com o médico, o risco aumenta principalmente quando há ingestão excessiva em poucas horas, situação que pode elevar a pressão arterial e favorecer alterações no ritmo cardíaco. 

Um dos quadros relacionados ao consumo excessivo de álcool é a chamada “síndrome do coração de feriado”, caracterizada por episódios de arritmia, principalmente fibrilação atrial, que podem ocorrer mesmo em pessoas sem histórico de doença cardíaca. “A pessoa bebe muito numa comemoração e chega ao pronto-socorro com o coração batendo de forma irregular, geralmente uma fibrilação atrial. Às vezes é alguém que nunca teve nada no coração”, afirma. 

Para quem tem hipertensão, arritmia ou outra doença cardiovascular, os cuidados devem ser ainda maiores. O cardiologista orienta que o paciente converse com o próprio médico sobre o consumo de bebidas alcoólicas e não interrompa medicamentos de uso contínuo por conta própria. 

A combinação de álcool com alguns medicamentos também pode provocar efeitos adversos. Remédios utilizados para controlar a pressão, por exemplo, podem ter seus efeitos somados aos da bebida e provocar queda da pressão, tontura e desmaio. Já a associação com anticoagulantes ou medicamentos para ansiedade e sono pode trazer outros riscos. “Se você toma remédio todo dia, a melhor coisa é perguntar diretamente ao seu médico se pode beber e quanto. Mas a regra geral é: na dúvida, não misture, e nunca suspenda o remédio por conta própria”, alerta. 

Alguns sintomas durante o dia da eleição ou após uma comemoração exigem atendimento médico imediato. Entre eles estão dor, aperto ou peso no peito que dura mais que alguns minutos, principalmente quando acompanhado de suor frio, enjoo ou dor que se espalha para o braço, pescoço, mandíbula ou costas. 

Falta de ar desproporcional e coração acelerado ou com batimentos irregulares, especialmente quando acompanhados de tontura ou desmaio, também são sinais de alerta. Isso vale para sintomas de Acidente Vascular Cerebral (AVC), como boca torta, fraqueza ou formigamento em um lado do corpo, fala enrolada ou dificuldade para compreender o que outras pessoas dizem. 

O cardiologista chama atenção ainda para a tendência de atribuir esses sintomas ao álcool após uma comemoração. Para ele, esperar para ver se o quadro melhora pode atrasar o atendimento em situações graves. “Não faça isso. Muitas vezes, nos casos de infarto e AVC, o que define o resultado é o tempo até o atendimento. Quanto mais rápido for o atendimento, melhor será o resultado”, afirma. 

Diante desses sinais, a orientação é acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192, ou procurar imediatamente o pronto-socorro mais próximo. 

Para reduzir os riscos, Raelson Batista recomenda que pessoas com fatores de risco cardiovascular mantenham o acompanhamento médico e conheçam a própria condição de saúde antes de períodos de maior exposição ao estresse. 

A recomendação vale especialmente para quem já teve infarto, possui hipertensão, arritmia ou outras doenças cardiovasculares. O objetivo, segundo o médico, é participar do processo eleitoral sem transformar a tensão das disputas e comemorações em um risco desnecessário para a saúde.

Assuntos Relacionados
Compartilhar

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por