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Alzheimer pode ser prevenido? 14 fatores ajudam a reduzir o risco

Estudo da Comissão Lancet aponta condições e hábitos que podem ser modificados ao longo da vida e contribuir para a prevenção de demências

Publicado em 21/09/2026 às 09:08
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A doença de Alzheimer não pode ser evitada completamente, mas uma parcela dos fatores associados ao desenvolvimento de demências pode ser modificada ao longo da vida. Segundo uma atualização da Comissão Lancet, publicada em 2024, existem 14 fatores de risco modificáveis que, quando prevenidos ou controlados, podem contribuir para reduzir a probabilidade de desenvolver demência.

A lista inclui desde baixa escolaridade e falta de atividade física até hipertensão, diabetes, perda auditiva, tabagismo e poluição do ar.

A prevenção não depende de uma única medida. A recomendação é adotar cuidados ao longo de diferentes fases da vida, mantendo o cérebro e o corpo ativos e controlando condições que afetam a saúde cardiovascular e cerebral.

Educação e estímulo do cérebro

A baixa escolaridade está entre os fatores associados ao risco de demência. Isso está relacionado ao conceito de reserva cognitiva, capacidade que o cérebro desenvolve ao longo da vida para lidar melhor com alterações relacionadas ao envelhecimento.

Ler, estudar, aprender novas habilidades, manter atividades intelectuais e buscar novos conhecimentos são formas de estimular o cérebro. Esse processo pode começar na infância e continuar durante toda a vida.

Pressão, colesterol, diabetes e obesidade

Doenças cardiovasculares e metabólicas também estão relacionadas à saúde cerebral.

A hipertensão arterial, o diabetes e o colesterol LDL elevado podem contribuir para alterações nos vasos sanguíneos e aumentar o risco de comprometimento cognitivo. Por isso, acompanhar regularmente a pressão arterial, a glicemia e o colesterol e realizar o tratamento indicado são medidas importantes.

A obesidade também aparece entre os fatores modificáveis. A redução do excesso de peso pode contribuir para melhorar condições associadas, como hipertensão e diabetes.

Atividade física e convivência social

A falta de atividade física é outro fator associado ao risco de demência. Caminhada, corrida, natação, musculação ou outras atividades ajudam a manter o organismo ativo e contribuem para a saúde cardiovascular e cerebral.

A vida social também tem importância. Manter contato com familiares e amigos, participar de atividades culturais, comunitárias ou religiosas e preservar relacionamentos presenciais são formas de manter o cérebro estimulado.

Saúde mental e consumo de álcool

A depressão também aparece entre os fatores associados ao risco de demência, especialmente quando não é identificada e tratada adequadamente. Sintomas persistentes devem ser avaliados por profissionais de saúde.

O consumo excessivo de álcool é outro ponto de atenção. O uso abusivo e prolongado pode provocar danos ao sistema nervoso e está associado a maior risco de comprometimento cognitivo.

Audição e visão

A perda auditiva e a perda de visão não tratada também fazem parte da lista.

Dificuldades para ouvir ou enxergar podem fazer com que a pessoa deixe de participar de conversas, atividades sociais e outras situações que estimulam o cérebro. Por isso, alterações nesses sentidos devem ser investigadas e tratadas quando houver indicação.

O uso de aparelhos auditivos, por exemplo, pode ser recomendado para pessoas com perda auditiva, conforme avaliação profissional.

Tabagismo, poluição e traumatismos

O tabagismo também está entre os fatores modificáveis. O cigarro aumenta o risco de problemas cardiovasculares e compromete a saúde dos vasos sanguíneos, além de estar associado a outros danos ao organismo.

A exposição à poluição do ar é outro fator relacionado ao risco de demência. Embora parte desse problema dependa de medidas coletivas e políticas públicas, reduzir a exposição quando possível pode contribuir para a saúde.

Já os traumatismos cranianos podem ter consequências de longo prazo para o cérebro. Medidas de segurança no trânsito, no trabalho e durante atividades esportivas ajudam a diminuir o risco de lesões.

Quais são os 14 fatores?

A atualização da Comissão Lancet reúne os seguintes fatores potencialmente modificáveis:

  • baixa escolaridade;
  • perda auditiva;
  • hipertensão;
  • tabagismo;
  • obesidade;
  • depressão;
  • inatividade física;
  • diabetes;
  • isolamento social;
  • consumo excessivo de álcool;
  • traumatismo craniano;
  • poluição do ar;
  • colesterol LDL elevado;
  • perda de visão não tratada.

Prevenção começa antes da velhice

Os cuidados para reduzir o risco de demência não precisam começar apenas na terceira idade. A prevenção pode ser construída ao longo de toda a vida, com acesso à educação, prática de atividade física, controle de doenças cardiovasculares e metabólicas, tratamento de problemas de audição e visão e manutenção de atividades sociais e intelectuais.

Isso, porém, não significa que uma pessoa que controle todos esses fatores estará livre do Alzheimer. A idade e fatores genéticos também influenciam o desenvolvimento da doença e não podem ser modificados.

A principal mensagem é que, embora nem todos os casos possam ser evitados, existem medidas relacionadas ao estilo de vida e à saúde que podem contribuir para preservar a saúde cerebral e reduzir o risco de demência ao longo dos anos.

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