Especialista explica por que exame de sangue e toque retal são complementares na investigação da doença
O resultado normal do exame de sangue PSA (Antígeno Prostático Específico) não significa, necessariamente, que o homem esteja livre do câncer de próstata. Embora seja uma das principais ferramentas utilizadas na avaliação da saúde prostática, o exame pode não identificar todos os casos da doença, inclusive tumores mais agressivos. O alerta é do urologista Gilson José, em entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM, ao explicar a importância de associar o PSA ao exame de toque retal.
Segundo o especialista, os dois procedimentos são complementares porque algumas alterações podem ser identificadas no exame físico mesmo quando o PSA está dentro dos valores considerados normais. "Em alguns homens, o PSA não altera, apesar do homem ter o câncer na próstata. E geralmente isso acontece naqueles cânceres que são mais agressivos, que o homem vai ter mais problema se não tratar", explica.
O toque retal permite identificar características como nódulos ou áreas endurecidas na próstata. Gilson detalhou o que o médico procura durante a avaliação: "No toque a gente percebe alteração na próstata, algum caroço, nódulo, alguma área mais endurecida".
Quando há suspeita de câncer, a investigação pode avançar para a biópsia da próstata, procedimento necessário para confirmar o diagnóstico. O urologista ressaltou que a indicação pode ocorrer tanto diante de alterações no PSA quanto no exame físico. "Seja o PSA alterado ou o toque alterado, a biópsia precisa ser feita para confirmar o que está acontecendo", explica.
O especialista também lembrou que o PSA pode apresentar elevação por motivos que não estão relacionados ao câncer, como inflamações na próstata (prostatite) e aumento benigno do órgão, condição que pode ocorrer com o envelhecimento. "Qualquer doença na próstata pode alterar o PSA. Não só o câncer. Prostatite, por exemplo", afirma. Sobre o crescimento benigno, explicou que o tamanho da próstata também influencia o resultado: "Eu vou ter um PSA mais alto, porque eu tenho mais próstata para produzir mais PSA".
Outro ponto de atenção é que o câncer de próstata geralmente não apresenta sintomas na fase inicial. De acordo com Gilson, quando os sinais começam a aparecer, a doença pode já estar em estágio mais avançado. "No início da doença não dá sintomas, é totalmente assintomático e é a melhor fase para se tratar, com a maior chance de cura", alerta.
Entre as manifestações em casos avançados estão dificuldades para urinar, dores ósseas e comprometimento da mobilidade, especialmente quando há metástase. O médico explicou que os ossos estão entre os locais mais frequentemente atingidos quando o câncer se espalha pelo organismo.
Na entrevista, Gilson José orientou que homens com fatores de risco, como histórico familiar de câncer de próstata e homens negros, iniciem a avaliação aos 45 anos. Para aqueles sem esses fatores, a recomendação apresentada pelo médico é começar aos 50 anos, com acompanhamento anual.
O urologista também relatou que já identificou a doença em pacientes mais jovens, especialmente entre aqueles com histórico familiar importante. "Nós já vimos pacientes com 40 anos de idade, 43, com a história familiar positiva muito importante, que foram diagnosticados e tratados", conta.
A campanha Novembro Azul busca ampliar a conscientização sobre a saúde masculina e incentivar a procura por atendimento médico, reduzindo o preconceito e a resistência em relação aos exames preventivos.