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Teste do Pezinho: a importância da triagem neonatal e as diferenças do exame no SUS e no particular

Realizada nos primeiros dias de vida do bebê, a testagem assegura o diagnóstico precoce e evita danos ao desenvolvimento infantil

Nubya Oliveira/O Tempo
Publicado em 04/06/2026 às 08:27
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O teste do pezinho é um instrumento importante para o diagnóstico precoce das doenças raras (Foto: Denise Reis/Nupad-UFMG)

O teste do pezinho é um instrumento importante para o diagnóstico precoce das doenças raras (Foto: Denise Reis/Nupad-UFMG)

O Teste do Pezinho é capaz de detectar dezenas de condições de saúde antes mesmo do surgimento dos primeiros sintomas. Realizado nos primeiros dias de vida do bebê, o exame assegura o diagnóstico precoce e evita danos ao desenvolvimento infantil. A conscientização sobre essa triagem ganha relevância neste 6 de junho, data em que se celebra o Dia Nacional do Teste do Pezinho. 

Minas Gerais oferece desde abril deste ano, de forma universal e gratuita, o rastreamento de 64 doenças na rede pública. O painel inclui enfermidades raras, metabólicas, infecciosas, imunológicas e genéticas, de forma diferente do padrão tradicional aplicado na maioria dos estados, que identifica apenas seis enfermidades.

Diagnóstico precoce muda a vida de bebês

A ampliação do teste gera impactos na realidade de famílias como a de Luna, uma bebê de Belo Horizonte que hoje tem um ano. O exame foi coletado no terceiro dia de vida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e identificou de forma precoce a Atrofia Muscular Espinhal (AME), uma doença rara, genética e degenerativa.

Luna não apresentava sintomas ao nascer, e a rapidez do diagnóstico permitiu o início do tratamento em poucos meses. Atualmente, a bebê alcança os marcos de desenvolvimento esperados para a idade, como sentar, rolar e engatinhar.

O diagnóstico no tempo correto viabilizou o acesso ao medicamento onasemnogeno abeparvoveque, uma terapia gênica de dose única que substitui o gene defeituoso e estabiliza a progressão da doença. O remédio foi fornecido pelo SUS por meio de um acordo de compartilhamento de risco entre o governo federal e a fabricante.

"Na nossa história tudo foi bem rápido e sabemos o quanto somos privilegiados, pois em outras regiões do país as famílias muitas vezes sequer conseguem ter acesso ao diagnóstico da doença, a não ser pagando pelo teste", relata a esteticista Tainá Bolzani, mãe de Luna.

O papel da triagem na medicina preventiva

Segundo o pediatra e neurologista André Vinícius Soares Barbosa, o caso de Luna aponta para a necessidade de um padrão a ser seguido em outras localidades. “Esse senso de urgência é fundamental na AME, pois cada dia sem diagnóstico e sem tratamento significa a perda irreversível dos neurônios motores”, informa o médico.

Conforme explica o especialista, o Teste do Pezinho é um procedimento rápido e faz parte das ferramentas de prevenção:

  • Duração: O exame leva menos de cinco minutos para ser realizado.
  • Objetivo: Permite identificar, logo nos primeiros dias de vida, doenças graves, raras e silenciosas, antes que provoquem danos irreversíveis ao bebê.
  • Período ideal: Deve ser realizado entre o 3º e o 5º dia de vida do recém-nascido.
  • Como é feito: O profissional de enfermagem faz uma punção no calcanhar do bebê e coleta gotas de sangue em um papel filtro específico, que segue para análise em centros especializados.

“Com benefícios para a saúde dos pacientes e ganhos significativos para a sustentabilidade do sistema público, é inegável a urgência de acelerar a implementação do Teste do Pezinho ampliado em todo o país”, ressalta o pediatra.

As diferenças entre o exame no SUS e na rede privada

De acordo com o Ministério da Saúde, o teste do pezinho oferecido pelo SUS faz parte de uma política pública de cuidado neonatal. Por meio do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), o atendimento engloba uma linha de assistência integrada que envolve:

  • Realização do exame laboratorial;
  • Busca ativa de casos suspeitos ou com resultados inconclusivos;
  • Confirmação diagnóstica por meio de novos exames;
  • Acompanhamento por equipe multidisciplinar;
  • Tratamento das doenças detectadas com fornecimento de medicamentos pelo SUS.

Na rede privada, os laboratórios podem oferecer exames que rastreiam um número maior de doenças, mas não há garantia de acompanhamento dos pacientes após a identificação de alterações. Segundo a pasta, existem situações em que as famílias não são comunicadas sobre resultados anormais pela rede particular.

A orientação do ministério é que todos os recém-nascidos façam o teste disponibilizado pelo SUS, executado por serviços especializados. Caso os responsáveis queiram exames complementares, podem recorrer à rede privada por convênios ou de forma particular, mas essa complementação não substitui o teste do Programa Nacional de Triagem Neonatal.

Implementação em Minas Gerais

Segundo o governo de Minas, a triagem neonatal ampliada está implementada nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de todos os 853 municípios mineiros para descentralizar o acesso ao exame. Com a medida, o estado se antecipou às etapas previstas pela Lei Federal nº 14.154/2021.

“Minas Gerais assumiu o compromisso de ampliar a triagem neonatal e hoje garantimos que todas as crianças tenham acesso ao Teste do Pezinho ampliado. Isso permite identificar doenças ainda nos primeiros dias de vida e iniciar o tratamento no tempo certo, evitando complicações e garantindo mais qualidade de vida", afirmou o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, em nota oficial divulgada pelo governo mineiro.

Dados técnicos do governo estadual apontam que a rede de atendimento soma 4.109 pontos de coleta ativos, divididos entre postos de saúde municipais, maternidades públicas e pontos de apoio. 

O avanço do programa em números

Segundo o balanço consolidado pelo governo de Minas Gerais, o programa gerou os seguintes resultados:

Triagem recente: Entre os anos de 2019 e 2025, o estado realizou a triagem de mais de 1,4 milhão de recém-nascidos;
Confirmações: Desse total monitorado nos últimos seis anos, foram confirmados 2.522 diagnósticos de doenças;
Histórico acumulado: Desde a criação oficial da iniciativa em solo mineiro, em 1993, foram contabilizados mais de 7 milhões de testes feitos e 8.493 casos de patologias identificadas e encaminhadas para tratamento. (Com informações da Agência Minas) 

Fonte: O Tempo

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