Realizada nos primeiros dias de vida do bebê, a testagem assegura o diagnóstico precoce e evita danos ao desenvolvimento infantil

O teste do pezinho é um instrumento importante para o diagnóstico precoce das doenças raras (Foto: Denise Reis/Nupad-UFMG)
O Teste do Pezinho é capaz de detectar dezenas de condições de saúde antes mesmo do surgimento dos primeiros sintomas. Realizado nos primeiros dias de vida do bebê, o exame assegura o diagnóstico precoce e evita danos ao desenvolvimento infantil. A conscientização sobre essa triagem ganha relevância neste 6 de junho, data em que se celebra o Dia Nacional do Teste do Pezinho.
Minas Gerais oferece desde abril deste ano, de forma universal e gratuita, o rastreamento de 64 doenças na rede pública. O painel inclui enfermidades raras, metabólicas, infecciosas, imunológicas e genéticas, de forma diferente do padrão tradicional aplicado na maioria dos estados, que identifica apenas seis enfermidades.
Diagnóstico precoce muda a vida de bebês
A ampliação do teste gera impactos na realidade de famílias como a de Luna, uma bebê de Belo Horizonte que hoje tem um ano. O exame foi coletado no terceiro dia de vida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e identificou de forma precoce a Atrofia Muscular Espinhal (AME), uma doença rara, genética e degenerativa.
Luna não apresentava sintomas ao nascer, e a rapidez do diagnóstico permitiu o início do tratamento em poucos meses. Atualmente, a bebê alcança os marcos de desenvolvimento esperados para a idade, como sentar, rolar e engatinhar.
O diagnóstico no tempo correto viabilizou o acesso ao medicamento onasemnogeno abeparvoveque, uma terapia gênica de dose única que substitui o gene defeituoso e estabiliza a progressão da doença. O remédio foi fornecido pelo SUS por meio de um acordo de compartilhamento de risco entre o governo federal e a fabricante.
"Na nossa história tudo foi bem rápido e sabemos o quanto somos privilegiados, pois em outras regiões do país as famílias muitas vezes sequer conseguem ter acesso ao diagnóstico da doença, a não ser pagando pelo teste", relata a esteticista Tainá Bolzani, mãe de Luna.
O papel da triagem na medicina preventiva
Segundo o pediatra e neurologista André Vinícius Soares Barbosa, o caso de Luna aponta para a necessidade de um padrão a ser seguido em outras localidades. “Esse senso de urgência é fundamental na AME, pois cada dia sem diagnóstico e sem tratamento significa a perda irreversível dos neurônios motores”, informa o médico.
Conforme explica o especialista, o Teste do Pezinho é um procedimento rápido e faz parte das ferramentas de prevenção:
“Com benefícios para a saúde dos pacientes e ganhos significativos para a sustentabilidade do sistema público, é inegável a urgência de acelerar a implementação do Teste do Pezinho ampliado em todo o país”, ressalta o pediatra.
As diferenças entre o exame no SUS e na rede privada
De acordo com o Ministério da Saúde, o teste do pezinho oferecido pelo SUS faz parte de uma política pública de cuidado neonatal. Por meio do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), o atendimento engloba uma linha de assistência integrada que envolve:
Na rede privada, os laboratórios podem oferecer exames que rastreiam um número maior de doenças, mas não há garantia de acompanhamento dos pacientes após a identificação de alterações. Segundo a pasta, existem situações em que as famílias não são comunicadas sobre resultados anormais pela rede particular.
A orientação do ministério é que todos os recém-nascidos façam o teste disponibilizado pelo SUS, executado por serviços especializados. Caso os responsáveis queiram exames complementares, podem recorrer à rede privada por convênios ou de forma particular, mas essa complementação não substitui o teste do Programa Nacional de Triagem Neonatal.
Implementação em Minas Gerais
Segundo o governo de Minas, a triagem neonatal ampliada está implementada nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de todos os 853 municípios mineiros para descentralizar o acesso ao exame. Com a medida, o estado se antecipou às etapas previstas pela Lei Federal nº 14.154/2021.
“Minas Gerais assumiu o compromisso de ampliar a triagem neonatal e hoje garantimos que todas as crianças tenham acesso ao Teste do Pezinho ampliado. Isso permite identificar doenças ainda nos primeiros dias de vida e iniciar o tratamento no tempo certo, evitando complicações e garantindo mais qualidade de vida", afirmou o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, em nota oficial divulgada pelo governo mineiro.
Dados técnicos do governo estadual apontam que a rede de atendimento soma 4.109 pontos de coleta ativos, divididos entre postos de saúde municipais, maternidades públicas e pontos de apoio.
O avanço do programa em números
Segundo o balanço consolidado pelo governo de Minas Gerais, o programa gerou os seguintes resultados:
Triagem recente: Entre os anos de 2019 e 2025, o estado realizou a triagem de mais de 1,4 milhão de recém-nascidos;
Confirmações: Desse total monitorado nos últimos seis anos, foram confirmados 2.522 diagnósticos de doenças;
Histórico acumulado: Desde a criação oficial da iniciativa em solo mineiro, em 1993, foram contabilizados mais de 7 milhões de testes feitos e 8.493 casos de patologias identificadas e encaminhadas para tratamento. (Com informações da Agência Minas)
Fonte: O Tempo