Segundo dados do Conselho de Safra, foram plantados mais de 87 mil hectares nesta temporada em Uberaba, com produtividade estimada em 3.900 quilos por hectare

Em 2025, a cidade ocupou a quarta posição no ranking estadual de produção de soja (Foto/Divulgação)
A colheita da soja da safra 2025/26 já começou em Uberaba, ainda de forma tímida e concentrada nas áreas mais altas do município. Segundo dados do Conselho de Safra local, foram plantados 87.100 hectares nesta temporada, com produtividade estimada em 3.900 quilos por hectare. Em 2025, a cidade ocupou a quarta posição no ranking estadual de produção de soja, com 348,5 mil toneladas, atrás de Paracatu, Unaí e Buritis.
A colheita teve início principalmente nas regiões do Chapadão, Cinquentão, Santa Fé e São Basílio, áreas mais elevadas. Nas partes mais baixas, como Capelinha do Barreiro e Baixa, o trabalho deve avançar um pouco mais tarde.
Extensionista da Emater-MG, Petrônio da Silva explica que os números finais ainda dependem de um volume maior de áreas colhidas. “Já iniciou. Está tímida ainda, mas já começou sim. A gente teve um início de safra meio desastroso, por falta de chuva, e agora estamos aguardando um volume maior de colheita para ter uma noção melhor da produtividade por hectare”, afirmou.
De acordo com ele, a expectativa é que o município fique próximo da média registrada na safra passada. “A gente acha que pode ficar em torno de 62 a 65 sacas por hectare, mas precisamos deixar a colheita avançar um pouco mais para ter certeza”, pontuou. Na safra anterior, Uberaba havia plantado cerca de 89 mil hectares de soja. Neste ciclo 2025/26, a área ficou em aproximadamente 87 mil hectares — redução de cerca de 2 mil hectares. Segundo Petrônio, essa diferença se deve a áreas que sofreram perdas no início do plantio por causa da falta de chuva e não foram replantadas. Como o calendário já estava avançado, após a primeira quinzena de dezembro, os produtores optaram por direcionar essas áreas para o milho safrinha, em vez de insistir na soja fora da janela ideal.
Apesar da preocupação inicial com o atraso das chuvas, o cenário atual é considerado estável. Segundo o extensionista, as precipitações recentes não têm prejudicado o andamento dos trabalhos. “Se chover muito, as máquinas não entram na área e a umidade pode provocar perdas, como a podridão de vagem. Mas isso ainda não está acontecendo aqui. Temos tido dias tranquilos, com chuva e sol, o que ajuda”, explicou.
Em âmbito estadual, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Minas Gerais colha 8,9 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, volume 2,2% inferior ao ciclo anterior. A área cultivada cresceu 1,1%, somando 2,34 milhões de hectares. A produtividade média no Estado está estimada em 3,8 toneladas por hectare, queda de 3,3% em comparação à safra passada. De acordo com a Conab, as chuvas abaixo da média em outubro e novembro comprometeram parte do desenvolvimento inicial da cultura. A partir de dezembro, no entanto, houve recuperação das lavouras, com formação satisfatória de vagens, o que ajudou a compensar parte das perdas iniciais.
No mercado, o cenário também influencia as decisões dos produtores. Levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), ligado à Esalq/USP, indica que o Brasil deve registrar produção recorde de soja na safra 2025/26. Ao mesmo tempo, a oferta mundial pode diminuir, principalmente nos Estados Unidos e na Argentina, o que tende a ampliar ainda mais a participação brasileira no comércio internacional com o País podendo responder por cerca de 60% da soja negociada no mundo.
Segundo o Cepea, a procura por soja para entrega imediata, ou seja, negociações feitas para pagamento e envio no curto prazo aumentou nas últimas semanas, dando sustentação aos preços no mercado interno. Ainda assim, fatores como a valorização do real frente ao dólar e a expectativa de estoques maiores no cenário global têm limitado altas mais expressivas. No porto de Paranaguá (PR), uma das principais referências para exportação, a saca foi cotada a R$ 126,20 em fevereiro, refletindo as oscilações típicas de um mercado sensível ao clima e às movimentações internacionais.