ESTIMATIVA

4ª maior produtora de MG, Uberaba inicia colheita de soja com expectativa de estabilidade

Segundo dados do Conselho de Safra, foram plantados mais de 87 mil hectares nesta temporada em Uberaba, com produtividade estimada em 3.900 quilos por hectare

Joanna Prata
Publicado em 22/02/2026 às 15:48
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Em 2025, a cidade ocupou a quarta posição no ranking estadual de produção de soja (Foto/Divulgação)

Em 2025, a cidade ocupou a quarta posição no ranking estadual de produção de soja (Foto/Divulgação)

A colheita da soja da safra 2025/26 já começou em Uberaba, ainda de forma tímida e concentrada nas áreas mais altas do município. Segundo dados do Conselho de Safra local, foram plantados 87.100 hectares nesta temporada, com produtividade estimada em 3.900 quilos por hectare. Em 2025, a cidade ocupou a quarta posição no ranking estadual de produção de soja, com 348,5 mil toneladas, atrás de Paracatu, Unaí e Buritis. 

A colheita teve início principalmente nas regiões do Chapadão, Cinquentão, Santa Fé e São Basílio, áreas mais elevadas. Nas partes mais baixas, como Capelinha do Barreiro e Baixa, o trabalho deve avançar um pouco mais tarde. 

 Extensionista da Emater-MG, Petrônio da Silva explica que os números finais ainda dependem de um volume maior de áreas colhidas. “Já iniciou. Está tímida ainda, mas já começou sim. A gente teve um início de safra meio desastroso, por falta de chuva, e agora estamos aguardando um volume maior de colheita para ter uma noção melhor da produtividade por hectare”, afirmou. 

De acordo com ele, a expectativa é que o município fique próximo da média registrada na safra passada. “A gente acha que pode ficar em torno de 62 a 65 sacas por hectare, mas precisamos deixar a colheita avançar um pouco mais para ter certeza”, pontuou. Na safra anterior, Uberaba havia plantado cerca de 89 mil hectares de soja. Neste ciclo 2025/26, a área ficou em aproximadamente 87 mil hectares — redução de cerca de 2 mil hectares. Segundo Petrônio, essa diferença se deve a áreas que sofreram perdas no início do plantio por causa da falta de chuva e não foram replantadas. Como o calendário já estava avançado, após a primeira quinzena de dezembro, os produtores optaram por direcionar essas áreas para o milho safrinha, em vez de insistir na soja fora da janela ideal. 

Apesar da preocupação inicial com o atraso das chuvas, o cenário atual é considerado estável. Segundo o extensionista, as precipitações recentes não têm prejudicado o andamento dos trabalhos. “Se chover muito, as máquinas não entram na área e a umidade pode provocar perdas, como a podridão de vagem. Mas isso ainda não está acontecendo aqui. Temos tido dias tranquilos, com chuva e sol, o que ajuda”, explicou. 

Em âmbito estadual, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Minas Gerais colha 8,9 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, volume 2,2% inferior ao ciclo anterior. A área cultivada cresceu 1,1%, somando 2,34 milhões de hectares. A produtividade média no Estado está estimada em 3,8 toneladas por hectare, queda de 3,3% em comparação à safra passada. De acordo com a Conab, as chuvas abaixo da média em outubro e novembro comprometeram parte do desenvolvimento inicial da cultura. A partir de dezembro, no entanto, houve recuperação das lavouras, com formação satisfatória de vagens, o que ajudou a compensar parte das perdas iniciais. 

No mercado, o cenário também influencia as decisões dos produtores. Levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), ligado à Esalq/USP, indica que o Brasil deve registrar produção recorde de soja na safra 2025/26. Ao mesmo tempo, a oferta mundial pode diminuir, principalmente nos Estados Unidos e na Argentina, o que tende a ampliar ainda mais a participação brasileira no comércio internacional com o País podendo responder por cerca de 60% da soja negociada no mundo. 

Segundo o Cepea, a procura por soja para entrega imediata, ou seja, negociações feitas para pagamento e envio no curto prazo aumentou nas últimas semanas, dando sustentação aos preços no mercado interno. Ainda assim, fatores como a valorização do real frente ao dólar e a expectativa de estoques maiores no cenário global têm limitado altas mais expressivas. No porto de Paranaguá (PR), uma das principais referências para exportação, a saca foi cotada a R$ 126,20 em fevereiro, refletindo as oscilações típicas de um mercado sensível ao clima e às movimentações internacionais. 

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