O dólar norte-americano bateu o valor de R$3 na última quarta-feira (4), registrando a maior alta desde agosto de 2004, quando esteve cotado a R$3,04. Porém, recuou para R$2,9904 (compra) e R$2,9910 (venda), refletindo alta de 3,15%. Em Uberaba, isso fez cair a procura por dólares, à espera de uma melhora do real em relação à moeda dos Estados Unidos.
No entanto, a supervisora de uma casa de câmbio da cidade, Fabiana Moreira, ressalta que esta não é a melhor alternativa neste momento. “Para quem já tem viagem marcada não vale a pena desistir por conta do resultado da cotação, porque ninguém vai para o exterior para comprar uma quantidade de produtos tão alta para chegar ao ponto de desistir de viajar. O que acontece é que as pessoas diminuem a quantia. Quem vai levar R$10 mil, vai comprar este valor, mas vai levar menos dólares. Quem espera, se esquece de ver que, no momento, não há nada favorável para que haja uma alteração neste cenário. Muito pelo contrário, tudo indica que se continuar dessa forma, a tendência é subir mais ainda”, alerta.
A estratégia adotada pela casa de câmbio tem sido reduzir a margem de lucro. Fabiana ressalta que o dólar está sendo vendido a R$3,10, mas se fosse aplicado o preço com o lucro, o valor praticado seria de R$3,15.
Segundo o economista Sérgio Silva Martins, não há perspectivas de o dólar voltar aos patamares de 2013 ou início de 2014. “Pelo menos a princípio, ele vai orbitar em R$3, tendo em vista a conjuntura que estamos vivendo. Atravessamos um momento difícil de fragilidade econômica, principalmente das contas públicas. Os investidores estão desconfiados com o Brasil. Projetos que viriam estão parados e existe ainda o problema institucional do governo em relação aos escândalos de corrupção. Com isso, investidores acabam tirando dinheiro, especialmente através do mercado de capitais, e a tendência é a desvalorização do real. Por isso, penso que vamos continuar neste patamar, se não subir mais”, explica.
Em razão dessa realidade, o economista orienta que a população em geral procure se preparar mais para o futuro, pagando suas dívidas, ou pelo menos boa parte delas, bem como realizando corte dos gastos supérfluos, a fim de equilibrar o orçamento familiar. Isto porque a perspectiva é de permanência de inflação alta e risco de desemprego.