Cerca de 150 cães e gatos são acompanhados atualmente pela protetora independente Fabiana Lombardi, em Uberaba. Sem uma estrutura institucional própria, ela afirma que arca com parte dos custos de alimentação, medicamentos, atendimento veterinário, castrações e hospedagem, em despesas que chegam a pelo menos R$ 10 mil mensais.
A relação de Fabiana com a proteção animal começou há cerca de dez anos, depois que ela encontrou um cachorro atropelado na Avenida da Saudade, onde trabalhava. O animal foi levado ao Hospital Veterinário da Uniube (HVU), teve o tratamento custeado por ela e, posteriormente, foi adotado. “Depois disso, eu entrei para as redes sociais e, cada dia que passava, eu via a realidade deles. É tudo muito difícil e doloroso”, conta.
Desde então, a protetora passou a acompanhar casos de abandono e maus-tratos e a retirar animais de situações que considera de risco. Segundo ela, cerca de 50 estão sob sua responsabilidade direta, enquanto outros são acompanhados nas ruas ou permanecem em hospedagens custeadas por ela. “Eu já tenho dez anos que cuido de animal, tem maus-tratos ao extremo. A maioria é retirada de quintais”, afirma.
A quantidade de animais também transformou a rotina pessoal de Fabiana. Ela conta que acorda às 4h30, segue para o trabalho e, depois do expediente, retorna aos cuidados dos animais, atividade que pode se estender até as 22h. “Eu não tenho vida social. A minha vida são eles”, resume.
Uma das dificuldades enfrentadas por Fabiana é encontrar novos lares para os animais resgatados. A protetora afirma que passou a ter resistência em encaminhá-los para adoção depois de experiências traumáticas.
Segundo ela, oito animais que foram adotados morreram posteriormente nas casas para onde foram encaminhados. Fabiana afirma que, em alguns casos, só descobriu depois que os responsáveis apresentavam problemas de saúde mental. “Eu criei um bloqueio, não gosto de adoção”, relata.
Com isso, parte dos animais permanece nas duas casas mantidas por Fabiana. Outros ficam em hospedagens particulares, também pagas por ela. “Alguns não conseguem viver na rua. Por isso, eu tenho duas casas lotadas de animais e dez animais em um hotelzinho”, explica.
A manutenção dos animais exige uma combinação de recursos próprios e contribuições de familiares, amigos e pessoas que acompanham o trabalho da protetora.
Fabiana estima que os gastos mensais cheguem a pelo menos R$ 10 mil. Somente os animais que vivem nas ruas representam, segundo ela, uma despesa de aproximadamente R$ 5 mil por mês. “Isso fora o desgaste do carro. Eu compro os remédios e, às vezes, conto com a ajuda de uma veterinária que não me cobra consulta”, relata.
A família contribui com cerca de R$ 1.300 mensais, enquanto Fabiana afirma destinar aproximadamente R$ 2 mil do próprio salário para os animais. Ela também recebe ajuda de uma amiga que mora em São Paulo e arrecada recursos com materiais recicláveis. “Com as reciclagens que as pessoas trazem para mim, eu consigo arrecadar mais R$ 800, R$ 900”, explica.
Mesmo com as contribuições, a protetora afirma que frequentemente termina o mês no vermelho. “Esses outros R$ 2.500 sempre ficam negativos e vão juntando para outra dívida. Então as dívidas são enormes”, afirma.
Além dos animais que já estão sob seus cuidados, Fabiana acompanha cães que permanecem nas ruas e precisam de castração. Atualmente, ela cita quatro cadelas que aguardam o procedimento.
A protetora afirma que costuma pagar castrações com recursos próprios e que enfrenta dificuldades para conciliar os procedimentos com sua rotina de trabalho, principalmente quando é necessário transportar ou acompanhar os animais. “Eu levanto às 4h30 da manhã e termino de cuidar dos cachorros às dez horas da noite. Então fica muito difícil eu pegar uma vaga e ainda pagar uma pessoa para ficar lá ou um táxi-dog para buscar o animal”, explica.
Fabiana também afirma buscar apoio do poder público para animais resgatados. Um dos casos citados por ela é o de um pitbull que, segundo a protetora, está sob seus cuidados há cerca de dois anos. “Nesse momento eu estou com um pitbull que já tem dois anos que eu venho pedindo ajuda para a superintendência”, afirma.
Mesmo diante das dificuldades financeiras e da rotina de cuidados, Fabiana afirma que pretende continuar atuando na proteção animal. “Fui renunciando a tudo e, de uns quatro anos para cá, não tenho vida social. Não ligo não, porque são eles”, conta.
Pessoas que quiserem contribuir diretamente com o trabalho de Fabiana podem fazer doações pelo Pix: 10904160670 — Fernanda Lombardi.