CIDADE

Após esperar leito em hospital por cinco dias, idoso morre com infarto

Segundo a família de Geraldo Gonçalves Pereira, 83 anos, a demora para a transferência a um hospital o levou à morte no Hospital de Clínicas na tarde de segunda-feira (2)

Geórgia Santos
Publicado em 05/03/2015 às 07:26Atualizado em 17/12/2022 às 01:10
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Idoso com problemas cardíacos pode ter sido a mais recente vítima fatal por conta da falta de leitos no Sistema Único de Saúde em Uberaba. Segundo a família de Geraldo Gonçalves Pereira, 83 anos, a demora para a transferência a um hospital o levou à morte no Hospital de Clínicas na tarde de segunda-feira (2). Ele deu entrada na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do bairro São Benedito no dia 24 de fevereiro e desde então esperava por uma transferência para um hospital. Isso somente aconteceu em 1º de março, depois que o estado de saúde se agravou e, quando chegou ao HC, a situação era praticamente irreversível.

De acordo com a cabeleireira e filha de Geraldo, Geralda Gonçalves Pereira Queiroz, no início do mês passado o pai estava se sentindo mal, com falta de ar, e por isso o levou à UPA. No local, fizeram exame de raios X, mas não constataram nada de errado, e também exame de sangue, inclusive o material coletado sumiu dentro da unidade, foi preciso uma nova coleta. Depois do resultado, a médica passou um medicamento para pneumonia e a família seguiu a recomendação. Mas os parentes não ficaram satisfeitos e marcaram consulta particular com um pneumologista. “O médico não passou remédio, fez uma carta e pediu para que levássemos meu pai novamente à UPA, pois, na verdade, ele estava com dores [angina], por isso precisava de urgente internação”, explica a cabeleireira.

A família levou Geraldo à UPA, que é a porta de entrada para os hospitais e, assim, conseguir a transferência, mas nada aconteceu como imaginavam. “Chegamos no dia 24, e meu pai foi inserido no sistema SUSfácil somente no dia seguinte, e a situação foi se agravando, as dores aumentando. Por duas vezes foi levado até a sala de urgência, mas a vaga não aparecia. Conversava com médicos, mas me pediam para esperar, diziam que não podiam fazer nada, que a culpa era do HC, e, ainda, que se meu pai morresse, a culpa não seria minha e nem deles”, afirma a filha.

No domingo (1°) o estado de saúde de Geraldo se agravou. Foi levado até a sala de urgência e, segundo Geralda, neste momento teve um infarto e um acidente cardiovascular. A partir daí foi transferido ao HC. “Perguntei diversas vezes por que não tinham inserido meu pai na ‘vaga zero’, diziam que os critérios não preenchiam, e isso só aconteceu depois que ele enfartou. Foi preciso ter piora no quadro para conseguir a transferência. Por isso, afirmo que meu pai morreu pela demora em encontrar vaga e pelo péssimo atendimento na UPA”, explica Geralda, ressaltando que no HC os médicos disseram a ela que não era possível fazer nenhum procedimento para tratamento diante da gravidade da situação.

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