O Junho Vermelho, mês dedicado à conscientização sobre a importância da doação de sangue, também chama atenção para uma necessidade que muitas vezes passa despercebida: a doação para cães e gatos. Em Uberaba, protetores de animais defendem a ampliação do número de pets cadastrados como possíveis doadores para atender emergências, como acidentes, cirurgias, anemias graves e doenças.
A ONG SUPRA explica que o processo de doação de sangue animal segue etapas semelhantes às realizadas em humanos. Antes da coleta, o animal passa por avaliações para garantir a segurança do doador e a compatibilidade com o paciente que receberá a transfusão.
Segundo a organização, o tutor leva o animal até o hospital ou clínica que solicitou a doação. Uma amostra é coletada e encaminhada para exames, como hemograma e teste de compatibilidade. No caso dos gatos, também são feitos testes para identificar doenças como FIV e FeLV. “Se tiver qualquer alteração, seja nos exames ou na parte clínica, o animal é dispensado da doação de sangue”, explica.
A SUPRA destaca que a coleta não causa dor ao animal, já que o procedimento é realizado com sedação. Antes disso, o pet passa por uma avaliação para verificar se está apto. “A sedação tem um risco, por isso o animal é avaliado tanto na parte hematológica quanto na parte clínica. É uma sedação leve, rápida e, em poucas horas, ele acorda e já é liberado para casa”, afirma.
Apesar da importância da doação, a organização explica que a maior dificuldade atualmente está relacionada aos felinos. Conforme a SUPRA, há uma quantidade menor de bolsas disponíveis para gatos e a compatibilidade sanguínea precisa ser avaliada antes da transfusão. “Nos gatos, mesmo quando existe uma bolsa disponível, ainda é necessário fazer o teste de compatibilidade para saber se o tipo sanguíneo é o mesmo. Se não for compatível, a transfusão não pode ser realizada”, explica.

(Foto/Divulgação)
A dificuldade ocorre porque os gatos possuem diferentes tipos sanguíneos, o que torna a busca por um doador compatível mais restrita. Por isso, clínicas e hospitais veterinários podem enfrentar dificuldades para encontrar sangue com rapidez em casos urgentes.
Para serem doadores, os gatos precisam ter mais de 4,5 quilos, idade entre um ano e meio e sete anos e estar em boas condições de saúde. Nos cães, também são considerados critérios como idade entre um e sete anos e avaliação clínica.
A criação de uma campanha permanente de incentivo à doação de sangue animal também foi tema de um requerimento apresentado pela vereadora Denise Max, da SUPRA, aprovado pela Câmara Municipal de Uberaba.
A proposta solicita ao município a realização de ações educativas e informativas em locais como transporte coletivo, repartições públicas, unidades de saúde, escolas, clínicas veterinárias, hospital veterinário e canais oficiais da Prefeitura.
O objetivo é ampliar a divulgação sobre a importância da doação, informar os critérios para que cães e gatos possam ser doadores e orientar os tutores sobre onde realizar o cadastro.
Enquanto uma estrutura oficial ainda não foi criada pelo município, a SUPRA iniciou um levantamento de possíveis doadores por meio de um formulário para identificar tutores interessados em cadastrar seus animais.
A ONG afirma que a falta de sangue disponível ainda é um dos desafios enfrentados no atendimento veterinário de emergência. “Muitos animais não conseguem uma doação a tempo e acabam vindo a óbito. Uma bolsa de sangue pode fazer a diferença entre a vida e a morte”, afirma.
Segundo a organização, no caso dos gatos, o custo de uma bolsa pode chegar a cerca de R$ 800, o que também representa uma dificuldade para muitos tutores.
Para a ONG SUPRA, ampliar o número de animais cadastrados é uma forma de criar uma rede de apoio para momentos em que cada minuto é importante. “Queremos conscientizar as pessoas sobre uma necessidade que muitos animais enfrentam. Assim como os humanos, eles também precisam de ajuda em situações críticas”, conclui.