O golpe do falso advogado teve alta expressiva em Minas Gerais e já soma 2.361 denúncias registradas na Ouvidoria da OAB/MG em 2025. Em entrevista ao programa Pingo do J, na Rádio JM, o presidente da OAB Uberaba, Luciano Del Duque, e o presidente da Comissão de Enfrentamento ao Crime do Falso Advogado, José Humberto de Almeida, alertam para a sofisticação das abordagens, que incluem o uso de informações reais de processos, e orientam a população a desconfiar de pedidos de depósito e confirmar qualquer contato pelos canais oficiais do próprio advogado.
Del Duque afirma que o aumento na frequência desse tipo de crime foi decisivo para criar uma comissão específica dentro da OAB. “A preocupação com um enfrentamento mais contundente em relação a esse tipo de crime foi o que levou à criação da comissão. As ações de conscientização que vinham sendo feitas não foram suficientes”, explica.
Segundo ele, na maioria dos casos os golpistas procuram a vítima com a falsa informação de que valores de uma suposta ação judicial foram liberados. “Quase sempre o advogado é quem liga primeiro para o cliente. Receber mensagem ou ligação pedindo depósito para liberar indenização é um sinal claro de golpe. Isso não existe”, alerta.
O presidente da OAB Uberaba também cita investigações em outros estados e diz que não foi constatado envolvimento direto de advogados. “O token do advogado era clonado. Por isso a importância da autenticação em dois fatores, que hoje dificulta muito esse tipo de acesso criminoso aos processos”, observa.
Já José Humberto reforça que a divulgação do tema é essencial para evitar novas vítimas. “É muito importante que isso seja bastante divulgado. Muitas vezes o golpe se aproveita da ingenuidade da vítima, somada à ambição, oferecendo valores altos, mesmo quando não existe sequer uma ação judicial”, afirma.
Ele diz que a OAB atua de forma preventiva e também no apoio a advogados e vítimas. “Criamos a comissão para amparar não só o advogado, mas qualquer pessoa que precise de orientação. No entanto, é uma missão difícil, porque o crime só pode ser combatido efetivamente depois que acontece”, pontua.
José Humberto explica que muitos casos usam informações verdadeiras, já que processos judiciais são públicos. Ainda assim, destaca que medidas vêm sendo adotadas para dificultar a ação dos criminosos. “A autenticação por dois fatores não impede o crime, mas facilita a apuração, porque fica registrado quem acessou o processo”, diz.
Em caso de prejuízo, ele orienta registrar boletim de ocorrência e comunicar o banco imediatamente. “Não pode cair no descrédito de achar que não adianta denunciar. A comunicação é fundamental, inclusive para que quadrilhas sejam identificadas e presas”, ressalta.
Entre as recomendações, a orientação é não fornecer dados, não realizar transferências e confirmar qualquer suposta “vitória” no processo por meios oficiais. “Se receber uma ligação dizendo que ganhou uma causa, não passe informações, não faça depósito e retorne a ligação para o seu advogado pelos canais oficiais. Advogado não pede dinheiro para liberar indenização”, enfatiza.
Os representantes da OAB afirmam que, até o momento, não há registro de participação comprovada de advogados nos golpes. “Não detectamos colaboração de advogados nesses crimes até agora. O que existe é o uso indevido de imagem, nome e até voz, com recursos tecnológicos cada vez mais avançados”, conclui José Humberto.