
Distribuição dos locais com ocorrências de problemas respiratórios na cidade entre janeiro e setembro do ano passado (Foto/Reprodução)
Distribuição dos locais com ocorrências de problemas respiratórios na cidade entre janeiro e setembro do ano passado (Foto/Reprodução)
Estudo da Secretaria Municipal de Saúde de Uberaba revelou que as regiões centrais e mais movimentadas da cidade concentram maior risco de doenças respiratórias e propõe a criação de um sistema de monitoramento da qualidade do ar como ferramenta para planejar ações de saúde e melhorar o atendimento à população. O levantamento mostra que fatores como poluição, trânsito intenso e grande circulação de pessoas influenciam diretamente o adoecimento e ajudam a explicar os números de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) registrados no município.
O estudo foi elaborado por equipe técnica da Vigilância em Saúde e concluído em janeiro de 2026, com base em dados de unidades de saúde do município e análises ambientais. Segundo a pasta, a metodologia permite atualização constante, garantindo que o município acompanhe de perto a evolução dos riscos e aja de forma preventiva.
De acordo com o estudo, o risco de doenças respiratórias em Uberaba segue o desenho da cidade. As áreas mais urbanizadas formam um corredor contínuo de maior vulnerabilidade, principalmente na região central, onde há maior concentração de pessoas, comércios e veículos. Ao redor desse eixo, aparecem áreas de risco intermediário, enquanto a maior parte da periferia apresenta índices mais baixos, embora com pontos isolados de atenção.
Os técnicos explicam que o risco não respeita limites de bairros. A poluição do ar, o fluxo intenso de veículos e a circulação diária de pessoas fazem com que vírus e outros agentes respiratórios se espalhem com mais facilidade, aumentando a chance de agravamento de doenças, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com problemas de saúde.
Mesmo nas áreas periféricas, consideradas menos vulneráveis na média, o estudo identificou bolsões pontuais de maior risco, ligados a fatores locais como infraestrutura precária, condições de moradia, proximidade de vias de tráfego intenso ou áreas industriais. Por isso, a Secretaria de Saúde reforça que nenhuma região pode ser ignorada nas ações de prevenção.
O diagnóstico ajuda a entender os dados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) registrados em Uberaba em 2025. A SRAG é uma infecção respiratória grave, causada principalmente por vírus como gripe e Covid-19, que pode levar à internação e até à morte. No ano passado, o município registrou 767 internações por SRAG, com 29 óbitos, o que representa uma letalidade de 3,78% entre os pacientes hospitalizados, segundo dados disponibilizados pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).
A incidência em Uberaba foi de 227 casos a cada 100 mil habitantes, índice próximo ao de Minas Gerais, que registrou 219 casos por 100 mil habitantes. Em todo o estado, foram 45.041 internações por SRAG e 2.825 mortes, com letalidade de 6,27%, percentual superior ao observado no município.
Com monitoramento da qualidade doar, Saúde imprimirá ações preventivas
Como resposta ao cenário identificado, o estudo propõe a criação de um sistema municipal de monitoramento da qualidade do ar, com equipamentos instalados em pontos estratégicos da cidade. A proposta completa prevê nove locais de monitoramento, mas, devido a custos e limitações operacionais, o plano inicial sugere a implantação de dois pontos prioritários, justamente nas áreas de maior risco respiratório.
Para essa primeira etapa, está prevista a aquisição de dois equipamentos automáticos de monitoramento da poluição, chamados Sinfomet-20, ao custo unitário de R$77.531, totalizando R$155.062, além de um amostrador de partículas do ar, no valor de R$50.431,63. O investimento total estimado para o início do sistema é de R$205.493,63.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, os equipamentos permitirão acompanhar, de forma contínua, a qualidade do ar em Uberaba, identificar períodos de maior poluição e agir antes que os casos de doenças respiratórias aumentem. As informações também poderão orientar campanhas preventivas, reforço de equipes de saúde e melhor organização do atendimento, especialmente nos meses de frio e tempo seco.
O estudo destaca que o monitoramento do ar, aliado ao mapa de vulnerabilidade respiratória, passa a ser uma ferramenta estratégica de planejamento, ajudando o município a usar melhor os recursos públicos e a proteger a população mais vulnerável. A metodologia adotada permite atualização constante dos dados, acompanhando as mudanças no território urbano.