Sistema considera distância, experiência do entregador, características do pedido e desempenho anterior
A escolha de um entregador para um pedido no iFood não depende apenas de quem está mais perto do restaurante. Segundo Lucas Piton, Head de Relações Institucionais da plataforma, o sistema utiliza inteligência artificial para cruzar informações sobre localização, experiência do profissional e características da encomenda antes de definir quem será acionado.
A lógica foi explicada por Piton em entrevista ao Pingo do J, da Rádio JM. De acordo com ele, o histórico do entregador com determinados tipos de pedidos pode influenciar diretamente na distribuição das entregas. “Tem também um cuidado, uma capacidade com esse entregador, de alocar os entregadores que têm mais experiência com pizzaria, por exemplo. A inteligência artificial consegue fazer tudo isso. Então, o entregador que tem mais histórico de pizzaria começa a direcionar mais para as pizzarias, e por aí vai”, explica.
A localização, entretanto, continua sendo considerada. A diferença é que o sistema pode escolher outro profissional caso identifique que ele tem maior adequação à encomenda. “Mas os entregadores normalmente são aqueles que estão mais próximos e que se adequam àquele tipo de entrega”, afirma.
Em Uberaba, um dos exemplos citados pelo representante foi justamente o transporte de pizzas. Segundo Piton, mais de 50% da frota de entregadores da plataforma na cidade já está preparada para esse tipo de pedido. “Hoje a gente já tem por volta de mais de 50% da nossa frota aqui em Uberaba, ela já está pronta e apta para entregar pizza. Então eu preciso, quando for um pedido de pizza, alocar esse entregador. Então ele é o mais perto e o mais apto, vamos dizer assim”, disse.
Na prática, a tecnologia pode fazer com que o segundo entregador mais próximo seja escolhido em vez do primeiro, caso o sistema identifique que ele é mais adequado para aquela encomenda. “São 200 ferramentas de IA ativadas por pedido”, explica.
Segundo Piton, o desempenho anterior do profissional também pode entrar nessa análise. Um entregador com histórico considerado melhor pode ser priorizado em determinadas situações. “Dependendo do ticket médio, provavelmente eu vou priorizar o que já é super entregador. Porque ele já faz uma entrega ótima”, afirma.
A escolha do profissional não termina na definição de quem buscará o pedido. Segundo Piton, as condições do deslocamento também podem interferir na qualidade da encomenda que chega ao consumidor.
Ele citou como exemplo o transporte de produtos líquidos, como caldos, que podem ser prejudicados por uma condução com muitos solavancos ou velocidade inadequada. “Respeito à via, respeitar a velocidade, isso tudo mexe também na mochila. Fica balançando lá dentro, você está levando um caldo, o negócio chega lá pela metade”, explica.
A declaração mostra que, além de escolher o profissional, os dados utilizados pela plataforma também podem ser relacionados ao comportamento durante o percurso. O transporte de pizzas também levou a empresa a testar um novo modelo de mochila térmica. Segundo Piton, o desenvolvimento ocorreu após testes com pizzarias de São Paulo e participação da Associação de Pizzarias Unidas do Brasil (APubra).
O objetivo, segundo ele, era enfrentar problemas observados durante as entregas, como pizzas que chegavam tortas, frias ou com o queijo grudado na embalagem. Segundo Piton, os testes indicaram melhora no transporte dos pedidos. “De fato, essa bag entregou muito mais qualidade para as pizzarias”, afirma.
O representante também afirmou que as avaliações dos parceiros foram utilizadas durante o desenvolvimento do equipamento. “Eles criticaram, deram feedback, a gente foi estudando e fazendo junto com eles também essa mochila, semelhante ao caso de Uberaba”, disse.
A combinação entre localização, histórico do entregador, características do pedido e informações sobre o deslocamento, segundo Piton, faz parte da tecnologia utilizada pela plataforma para distribuir as entregas.