Barra defende que a cidade precisa investir em outras vocações, para diversificar e dar sustentabilidade... Leia Mais
Mais indústrias. Esse é o norte traçado pelo empresário José Maria Barra para Uberaba nos próximos anos. Apesar da história diretamente ligada à criação zebuína e o destaque no setor agropecuário, Barra defende que a cidade precisa investir em outras vocações, para diversificar e dar sustentabilidade à economia local. “Na agropecuária, estamos bem posicionados e somos o maior produtor de grãos de Minas Gerais. Estamos consolidados como o maior produtor de genética bovina e já exportamos sêmen para a Índia, de onde foram importados os primeiros espécimes zebuínos. Agora precisamos investir em outro segmento”, analisa. No entanto, Barra acredita que o comércio não seria a opção mais viável, considerando que a vizinha Uberlândia já se consolidou como um grande centro distribuidor. Dificilmente duas cidades tão próximas teriam sucesso atuando no mesmo segmento, como concorrente. Por isso, ele aposta: “O nosso caminho é incrementar a industrialização”. Barra lembra que antes da chegada da Fosfertil - atual Vale Fertilizantes - na década de 1980, Uberaba dificilmente seria reconhecida como uma cidade de potencial industrial. Até então, a economia do município estava sedimentada quase exclusivamente na atividade agropastoril. A fábrica de fertilizantes funcionou como empreendimento catalisador de outras fábricas, possibilitando o avanço de uma economia na direção da consolidação de um parque industrial composto por mais de 1.500 unidades fabris e responsável pelo segundo maior estoque de empregados do município. Da mesma forma, Uberaba tornou-se o maior polo produtor de fertilizantes fosfatados da América Latina, atraindo vários outros empreendimentos do setor químico para o município. Nesse contexto, José Maria Barra ressalta que outro horizonte de desenvolvimento se descortina agora, através da implantação da planta de amônia da Petrobras e do gasoduto em Uberaba. A unidade da Petrobras deve atrair mais indústrias para o polo de fertilizantes e também outras empresas ligadas à cadeia produtiva do setor, enquanto a disponibilidade do gás abre um leque enorme de novas oportunidades de negócios. Ressalta, também, que a vinda do gás motivou articulações em torno de novos projetos de grande porte no município, como a instalação de usina termelétrica ou de unidade de fábrica chinesa especializada na produção de cimento. De acordo com Barra, a cidade já dispõe de localização privilegiada, condições logísticas para escoamento de produção e infraestrutura com disponibilidade de água e eletricidade. “Se somarmos o gás com a produção de energia elétrica nas usinas, podemos ter energia mais rentável e eficiente. Tudo isso poderá nos colocar ainda mais em vantagem para a atração de novos empreendimentos”, salienta. Além de conquistar grandes indústrias, o engenheiro argumenta que o município precisa estruturar e organizar a produção local das fábricas de pequeno e médio porte, para identificar qual segmento tem mais chances para compor um Arranjo Produtivo Local (APL), pois o aglomerado é mais uma estratégia para fortalecer a atividade industrial. (GB) Fernanda Borges
Antes da chegada da Fosfertil (Vale Fertilizantes), Uberaba dificilmente seria reconhecida como uma cidade de potencial industrial