Pró-Saúde reclama que o valor que recebe não está sendo suficiente para quitar despesas das UPAs, principalmente por causa das internações que não constam em contrato
Foto/Jairo Chagas
Médicos que atendem na UPA São Benedito realizaram reunião ontem à tarde para discutir a situação do pagamento de seus salários
Médicos que prestam serviço à organização social (OS) Pró-Saúde nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) receberam apenas a metade de seus salários em dia e já falam na possibilidade de paralisação. A OS admite o atraso de sete dias de 50% da remuneração, mas descarta a possibilidade de suspensão dos serviços e afirma que o atendimento ocorre normalmente nas duas unidades.
Na tarde de ontem, conforme a reportagem do Jornal da Manhã apurou, aconteceu na UPA São Benedito uma reunião em que os médicos chegaram a cogitar a possibilidade de paralisação diante do não-pagamento da metade dos salários. Uma médica – que preferiu manter a sua identidade preservada – informou que os profissionais da UPA São Benedito receberam apenas metade do salário referente ao mês de julho. Segundo ela, o acerto deveria ser feito em 10 de agosto, mas só aconteceu no dia 30. A médica alegou ainda que, procuradas pela categoria, nem a Pró-Saúde e nem a Prefeitura (PMU) deram posicionamento sobre a data para o acerto.
A assessoria de imprensa da Pró-Saúde encaminhou nota em que reconhece a dívida com os profissionais e diz que efetuou o pagamento de 50% dos salários do corpo clínico, com vencimento em 25 de agosto, referente ao mês de julho. De acordo com a nota, os demais 50% serão quitados assim que ocorrer o próximo repasse de custeio mensal por parte da Prefeitura. Sem citar valores, a empresa destacou que o repasse mensal para gerenciar as UPAs São Benedito e Parque do Mirante é insuficiente para manter todos os serviços ofertados pela entidade, tais como os pacientes internados nas duas unidades, não previstos em contrato.
Também por meio de nota, a Prefeitura Municipal de Uberaba afirma que os repasses para a Pró-Saúde que constam em contrato estão sendo pagos rigorosamente em dia. No entanto, admite que “o que a OS cobra é o chamado excedente, em função das internações que estão ocorrendo nas UPAs em virtude da falta de leitos em Uberaba”. Com relação ao atraso dos salários dos médicos das Unidades de Pronto-Atendimento, a Prefeitura diz não admitir a situação e “estuda notificar a Pró-Saúde para que cumpra o pactuado no contrato”.
O documento encaminhado à redação cita ainda que o município está fazendo gestões junto ao Estado e à OS para encontrar saída legal e financeira para que o excedente de internações seja pago. “Esse excedente se deve à política do município de não abandonar pacientes que necessitam de leitos e não conseguem nos hospitais conveniados. Com isso, as pessoas estão sendo acolhidas nas UPAs, que, como todos sabem, não são locais de internação e sim para atendimentos de urgência e emergência”, conclui a nota.