ESPERE SENTADO

Pacientes aguardam até oito dias por transferência e pressão aumenta nas UPAs de Uberaba

A alta demanda tem exigido reorganização das equipes e adoção de estratégias para reduzir o tempo de espera dos pacientes

Juliana Corrêa
Publicado em 06/08/2026 às 10:56
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As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Uberaba vivem, em 2026, um cenário considerado atípico pelos gestores responsáveis pelo serviço, com aumento no número de atendimentos e maior permanência de pacientes em observação à espera de transferência para unidades hospitalares. A situação foi detalhada pelo Frederico Ramos, diretor administrativo da Sociedade Educacional Uberabense, e pelos coordenadores técnicos Alexandre Azambuja, responsável técnico da UPA São Benedito, e Brunella Chinem, responsável técnica da UPA Mirante, em entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM. Segundo eles, a alta demanda tem exigido reorganização das equipes e adoção de estratégias para reduzir o tempo de espera dos pacientes. 

De acordo com Frederico Ramos, o aumento da procura pelas UPAs começou ainda no início do ano e se intensificou nos últimos meses. Além do crescimento no número de pessoas buscando atendimento, um dos fatores que mais impactam a rotina das unidades é a permanência de pacientes que precisam de internação hospitalar, mas aguardam a regulação para transferência. 

Segundo o diretor, enquanto em períodos anteriores a espera costumava ser menor, atualmente há casos de pacientes que permanecem vários dias em observação. “Agora em junho e julho está muito lotado, inclusive com pacientes em observação aguardando transferência. Hoje nós temos um paciente que já faz oito dias que está aguardando regulação para uma unidade hospitalar. Então isso aumentou também esses casos de pacientes que precisam dessa regulação”, afirmou Frederico. 

Os gestores explicam que a superlotação também está relacionada ao aumento do número de atendimentos nas duas unidades. Conforme informado na entrevista, a UPA Mirante passou de uma média de cerca de 6 mil a 6,5 mil atendimentos mensais para aproximadamente 10 mil, enquanto a São Benedito, que anteriormente registrava entre 8 mil e 10 mil atendimentos nos períodos de maior movimento, também passou a superar a marca de 10 mil pacientes por mês. 

Apesar da percepção de demora relatada por alguns pacientes, os coordenadores reforçaram que a ordem de atendimento nas UPAs segue critérios técnicos de gravidade, e não a ordem de chegada. Após a triagem, os casos mais urgentes são priorizados, enquanto pacientes classificados como menos graves podem aguardar mais tempo. “O critério não é só a dor. São vários critérios: sinais vitais, pressão, quantidade de oxigênio, febre. A triagem é padronizada e precisamos atender do mais grave para o menos grave, porque a capacidade instalada é finita”, explicou Frederico Ramos. 

Outro ponto levantado pelos gestores é que uma parcela significativa dos atendimentos realizados nas UPAs poderia ser resolvida na atenção básica. Segundo Ramos, entre 70% e 80% dos atendimentos nas unidades são considerados de menor gravidade e poderiam ser direcionados para unidades de saúde. Ele citou que a cobertura da atenção básica em Uberaba está em torno de 60% e avaliou que a procura pelas UPAs também reflete dificuldades de acesso a outros serviços de saúde. “Muitas vezes esses pacientes acabam desaguando nas UPAs. Quando a pessoa perde um plano de saúde, por exemplo, ela também passa a procurar mais o SUS. É uma série de fatores que contribuem para essa pressão no pronto atendimento”, afirmou Frederico Ramos.

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