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Vítimas de violência têm transporte gratuito em Uberaba; saiba como solicitar

Cartão com 30 passagens existe há três anos e leva mulheres ao CIM, Cras e postos de saúde, mas o benefício ainda é pouco conhecido entre as mulheres, sendo usado por cerca de cinco por mês

Débora Meira
Publicado em 06/08/2026 às 11:22
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A dificuldade de deslocamento ainda é uma das barreiras enfrentadas por mulheres que buscam ajuda após situações de violência doméstica. Em Uberaba, um benefício criado pela Prefeitura permite que vítimas atendidas pela rede de proteção tenham acesso gratuito ao transporte público para chegar aos serviços de acolhimento e orientação. 

O Vale-Transporte para Mulher Vítima de Violência oferece 30 unidades de transporte para que as mulheres consigam acessar equipamentos como o Centro Integrado da Mulher (CIM) e outros serviços que fazem parte da rede de atendimento. 

Segundo a coordenadora de Políticas Públicas para as Mulheres, Fernanda Mendes, Uberaba já possui um benefício semelhante há cerca de três anos. De acordo com ela, o cartão foi criado justamente para facilitar a chegada das vítimas aos serviços disponíveis no município. “Hoje nós temos o Vale-Transporte para a mulher vítima de violência. Isso foi um ganho. Tem três anos que nós temos esse cartão aqui no município. Ele é dado para a mulher com 30 unidades para que ela acesse todos os serviços da rede”, explica. 

O benefício pode ser utilizado não apenas para o deslocamento até o Centro Integrado da Mulher, mas também para outros pontos de apoio, como unidades de saúde, Cras, escolas e creches. “É importante ela passar pelo Centro Integrado, mas, às vezes, a mulher não consegue chegar até o Centro Integrado. Então, ela pode buscar uma unidade mais próxima, o Cras, a UBS, a escola dos filhos, a creche, para que ela fale dessa situação”, informa. 

Segundo Fernanda, a vítima não precisa relatar toda a situação de violência logo no primeiro atendimento. A orientação é procurar um serviço público e manifestar o desejo de receber apoio especializado. “Ela não vai precisar expor a situação. Ela vai falar que quer ser atendida ali no Centro Integrado. Aciona a gente e aí nós podemos pedir tanto à Guarda Municipal para buscá-la até aquele local, caso ela queira ir, como também fazer a busca ativa”, ressalta. 

Apesar da existência do benefício, a procura ainda é considerada pequena pela rede de proteção. Atualmente, segundo a coordenadora, cerca de quatro a cinco mulheres utilizam o cartão por mês. “Em média, não são muitas mulheres que procuram, não. Dá em torno de umas quatro, cinco mulheres ao mês”, afirma. 

Para ter acesso ao vale-transporte, a mulher precisa estar vinculada ao atendimento do Centro Integrado da Mulher. Fernanda reforça que não é necessário que já tenha ocorrido uma agressão física para buscar ajuda. “Ela não precisa necessariamente já ter uma agressão física. Pode ser qualquer tipo de agressão”, pontua. 

O juiz da Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Uberaba, Fabiano Veronez, destaca que muitas vítimas ainda têm dificuldade de reconhecer situações de violência, principalmente quando não envolvem agressões físicas. “Tem vítima que sofre um abuso psicológico, uma opressão, ela é intimidada o tempo todo e ainda assim acredita que não é vítima de violência porque ela não recebeu uma agressão física”, explica. 

Segundo o magistrado, facilitar o acesso aos serviços especializados é uma das estratégias para evitar que situações de violência evoluam para casos mais graves. “O importante é que ela busque ajuda, para que a gente depois não vire uma estatística de feminicídio”, afirma. 

Veronez também ressalta que o aumento nos registros de violência pode estar relacionado ao fortalecimento da rede de atendimento e à maior confiança das mulheres em buscar auxílio. “O que nós não queremos é demanda reprimida. O que nós estamos vendo é que mulheres que antes não estavam na rede estão chegando”, informa. 

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