PREOCUPANTE

Pedidos de medida protetiva por violência doméstica aumentaram 107% em 6 anos, em Uberaba

Rafaella Massa
Publicado em 17/03/2023 às 16:53Atualizado em 17/03/2023 às 16:55
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Mulher é agredida pelo marido ((Foto/Reprodução/BBC))

Mulher é agredida pelo marido ((Foto/Reprodução/BBC))

O aumento no número de pedido por medida protetiva nos casos de violência doméstica foi de 107% nos últimos seis anos, conforme os casos apresentados pelo juiz da 2ª Vara Criminal e diretor do Foro de Uberaba, Fabiano Veronez, em entrevista à Rádio JM.  

Segundo os dados apresentados, em 2017, foram 447 registros, e em 2018, foram 445. Já em 2019, o número de pedidos passou para 656. Em 2020, no período pandêmico, a quantidade de pedidos saltou para 828. Em 2021, foram 457, e em 2022 voltou a crescer, atingindo 925 pedidos. "Se você observar, de 2017 para 2022, mais que dobraram as solicitações de medidas protetivas", analisa o juiz.

Veronez explica que, a partir de 2016, foi estabelecido o juízo único para enfrentamento dos casos de violência doméstica e a 2ª Vara Criminal passou a ter esta competência. “A partir de 2017, eu passei a acolher com bastante cautela esses números. E, realmente, teve um crescimento assustador, mas não acredito que seja um crescimento em termos de violência. A violência, infelizmente, sempre existiu. Mas, em parte, a gente atribui à rede de enfrentamento. À mulher acreditar, a ver que ela tem direito e compreender essa questão”, analisa o diretor do Foro. 

O juiz explica que as mulheres de classe média/alta, usualmente, conseguem mais apoio devido a uma estrutura familiar de acolhimento maior. E complementa informando que o fortalecimento da rede de apoio à mulher também reúne incentivos para maior procura por apoio. 

"O que a gente nota hoje é que, com o incremento da rede e vários pontos de atuação, as mulheres tem passado a acreditar e pedir ajuda. As mulheres de famílias mais necessitadas precisam de uma assistência psicológica, de uma assistência jurídica e, inclusive, às vezes a questão do abrigamento. E, a partir do momento que ela encontra apoio e vê que está sendo acolhida, ela passa ter coragem de buscar auxílio e esse é um papel fundamental da rede de proteção à violência doméstica", esclarece Veronez.

O juiz ainda reforça que as crianças e adolescentes também são alvo de preocupação por parte da 2ª Vara Criminal, principalmente no que tange às jovens que estão em relacionamentos. “Isso também nos assusta muito. Às vezes algum caso de namoro esporádico, um caso de ‘ficar’, como se costuma falar e, inclusive, os casos de intimidação por meio de imagens, exposição nas redes sociais. A gente sempre sugere e recomenda muita cautela nessas relações, mas infelizmente esses casos têm ocorrido de forma não tão rara e nos surpreende porque é uma violência em um momento tão precoce da vida”, observa.

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