ELAS NA CIÊNCIA

Presença feminina na ciência cresce no Brasil e ganha destaque em Uberaba

Publicado em 11/02/2026 às 16:59Atualizado em 11/02/2026 às 17:00
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A participação feminina na produção científica brasileira cresceu 29% nos últimos 20 anos, segundo relatório da Elsevier-Bori. Atualmente, 49% dos estudos publicados no país contam com pelo menos uma mulher entre os autores. Em Uberaba, o avanço é refletido na atuação de professoras e pesquisadoras, que desenvolvem estudos em áreas como saúde, odontologia e agronegócio.

A data de 11 de fevereiro, quando é celebrado o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, reforça a importância da presença feminina na pesquisa e na formação acadêmica. A exemplo da Universidade de Uberaba (Uniube), docentes destacam que, embora o número de pesquisadoras tenha aumentado, ainda existem desafios relacionados à ocupação de cargos de liderança e à progressão na carreira.

A professora e pesquisadora Fernanda Magalhães avalia que a presença feminina amplia a inovação e inspira novas gerações. “Nosso papel, enquanto docentes, é contribuir para o desenvolvimento da análise crítica das pesquisadoras, ao estimular questionamentos que favoreçam a construção de uma identidade científica. Embora a participação feminina tenha aumentado, ainda há menor presença de mulheres em cargos de liderança e desigualdade no ritmo de progressão na carreira. Ao fortalecer a autonomia e a confiança, a pesquisadora passa a refletir sobre os erros e a propor soluções mais criativas e consistentes”, afirma.

Na área da saúde, a estudante de Medicina Karol Amancio integra um grupo de pesquisa que estuda o efeito de extratos vegetais no controle metabólico em modelo experimental de diabetes tipo 2, sob orientação das professoras Fernanda Magalhães e Patrícia Ibler. De acordo com a acadêmica, os resultados iniciais indicaram potencial dos fitoterápicos na redução do consumo alimentar e do ganho de peso, tanto em modelos diabéticos quanto não diabéticos. A pesquisa terá novas etapas.

“Minha motivação veio da curiosidade de entender melhor os mecanismos das doenças e buscar ferramentas que possam ajudar o próximo. Os resultados iniciais indicaram potencial dos fitoterápicos na redução do consumo alimentar e do ganho de peso, tanto em modelos diabéticos quanto não diabéticos. A pesquisa ainda terá novas etapas, mas já é possível enxergar caminhos promissores para o uso de alternativas acessíveis no manejo de condições crônicas”, explica Amancio.

Na Odontologia, a pesquisadora e doutora em Materiais Dentários Anália Ferraz relembra que, no início da carreira, tinha como principais referências pesquisadores homens, cenário que vem mudando ao longo dos anos. “Foi apenas na pós-graduação, especialmente no doutorado, que conheci mulheres cientistas que me inspiraram como exemplos de força e competência. Vejo a presença feminina crescendo, mas ainda em construção. Persistem preconceitos estruturais, muitas vezes sutis, que dificultam a ascensão feminina”, pontua.

Também na área da saúde e tecnologia, a docente Maria Angélica Hueb Menezes ressalta o papel da pesquisa como instrumento de transformação social. “Acredito que a ciência precisa sair do papel e chegar à sociedade. A pesquisa é uma ferramenta de transformação social, especialmente quando aplicada à saúde e à infância. Atuamos no desenvolvimento de tecnologias com base científica, com estudos estruturados, proteção intelectual e potencial de transferência para o mercado, sempre com o objetivo de gerar soluções mais humanas, inovadoras e acessíveis”.

No agronegócio, setor historicamente marcado pela predominância masculina, a presença feminina também tem avançado. A docente Joely Bittar destaca que cerca de 70% dos integrantes do laboratório da universidade são mulheres. Dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) indicam que elas representam aproximadamente 43,7% dos pesquisadores no Brasil. “Nós, mulheres na pesquisa, trazemos olhares mais sensíveis, comprometidos e inovadores para os problemas do campo e da sociedade como um todo”, finaliza Joely.

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