Segundo a presidente da Comissão de Execução Penal e de Apoio junto à penitenciária, Elisângela Nery, a Penitenciária de Uberaba conta com equipe própria que garante o atendimento básico, mas casos complexos são direcionados à rede municipal de Saúde
Os atendimentos de saúde dos detentos da Penitenciária Professor Aluízio Ignácio de Oliveira seguem protocolos previstos na Lei de Execução Penal e envolvem desde cuidados básicos na própria unidade até encaminhamentos para a rede pública em casos mais complexos. Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), em dezembro foram realizados 458 atendimentos pelo setor de saúde da unidade. A pasta reforça, no entanto, que um mesmo custodiado pode passar por mais de uma avaliação médica.
Em entrevista ao programa Pingo do J, a presidente da Comissão de Execução Penal e de Apoio junto à penitenciária, Elisângela Nery, explica não haver exigência de autorização judicial prévia para atendimento médico interno. Segundo ela, a unidade conta com enfermaria, consultório médico e equipe de saúde formada por médicos e enfermeiros. “Todos os dias há médico na unidade, seja no período da manhã ou da tarde. Não é um atendimento 24 horas, mas existe assistência diária”, afirma.
Elisângela Nery pontua ainda que, em situações de urgência ou quando a unidade não consegue resolver o problema de saúde internamente, os presos são encaminhados para pronto-atendimento ou unidades de saúde externas, com escolta. “Caso a unidade não consiga dar o primeiro atendimento, o recambiamento para UPA ou pronto-atendimento é realizado”, disse.
Apesar da estrutura existente, Elisângela ressalta que a superlotação impacta diretamente a capacidade de atendimento. Atualmente, a penitenciária abriga cerca de 1.500 presos, número que supera em mais do que o dobro a capacidade original da unidade. “Um atendimento imediato para todos não é possível. As necessidades são maiores do que aquilo que se consegue oferecer, e isso também acontece fora do sistema prisional”, pondera.
Ainda de acordo com a presidente da comissão, além da assistência à saúde, a penitenciária desenvolve ações de trabalho e estudo voltadas à ressocialização, embora em número reduzido diante da população carcerária. Segundo ela, a unidade de Uberaba possui ainda a particularidade de ser um presídio misto, com alas separadas para homens e mulheres, além de setores específicos para diferentes perfis de custodiados, exigindo maior complexidade na gestão.
Em nota, a Sejusp reforçou que todos os atendimentos previstos em lei são garantidos aos custodiados, incluindo assistência material, de saúde, jurídica, educacional, social e psicológica, conforme as normativas vigentes.