Lideranças do setor temem que a situação possa se agravar ainda mais com a operação Carne Fraca, que estaria interferindo no comportamento do mercado
Foto/Jairo Chagas
Preço da arroba do boi cai e situação gera preocupação para o setor. Seguindo a tendência de outros estados, em Minas Gerais, o preço da arroba do boi começou o mês de março de 2017 no valor de R$137, chegou a R$135 e fechou o mês em R$133. A situação gera preocupação, ainda mais com a operação Carne Fraca, que investiga corrupção no sistema de defesa agropecuária.
O Jornal da Manhã comparou os preços da arroba do boi à vista cotados em Minas Gerais no dia 17, um dia antes da deflagração da operação Carne Fraca, com os valores do fechamento do mercado de sexta-feira (31), e foi possível observar queda nos valores. No dia 17 de março, o preço praticado era de R$136, e no dia 31 de março, atingiu o menor patamar do mês, no valor de R$133, uma queda de 2,2% no preço.
Com relação a anos anteriores, também foi possível perceber redução no preço. Em março do ano passado, a arroba do boi no dia 31 estava cotada a R$143, portanto, com relação a este mesmo dia de 2017, foi possível constatar queda de 7%. Com relação a fevereiro, os números também estão menores: no fim do mês passado, a arroba do boi estava sendo comercializada a R$138. Quando comparado ao mês de março de anos anteriores, o preço da arroba do boi estava registrando crescimento, mas em 2017 houve queda, registrando números semelhantes aos de 2015.
Diante desta situação, segundo o presidente do Sindicato Rural, Romeu Borges, o mercado do boi gordo na região, que é medido pelos grandes frigoríficos, registrou reflexo negativo. Mas, por outro lado, no mercado interno de compradores, que são açougues e supermercados, os preços não mudaram, mesmo com o produtor praticando valor mais baixo. O preço para o consumidor continua o mesmo e os frigoríficos ainda estão praticando o mesmo valor, o que vem gerando questionamentos.
Quanto à operação Carne Fraca, Romeu não esconde que os fatos preocupam o produtor. “Em curto prazo o produtor consegue se manter. O que nos preocupa é o reflexo a médio e longo prazos. Porém, o governo vem tomando medidas que podem amenizar a situação. Ainda não é oficial, mas logo deve homologar a prorrogação dos financiamentos do custeio e investimentos pecuários. Essa é uma boa medida, mas outra sugestão que pode ser adotada em nível estadual são incentivos fiscais, porém seria uma proposta para mais algum tempo”, explica Romeu.