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Em meio à crise hídrica vivenciada no Brasil, a água tornou-se um dos desafios a serem superados para viabilizar o desenvolvimento de Uberaba nos próximos anos. O município é abastecido por dois rios, mas não saiu ileso da seca prolongada em 2014 e, agora, também busca alternativas para incrementar o estoque hídrico. Jairo Chagas
A consolidação do parque tecnológico deve nortear os próximos passos e políticas públicas, segundo o prefeito O prefeito Paulo Piau (PMDB) avalia que o problema não é a falta de água em si, pois a região do Triângulo Mineiro é irrigada por muitos mananciais e rios. Para o chefe do Executivo, o gargalo aconteceu em função da ausência de planejamento da rede de abastecimento, ocorrida nas gestões passadas. Ele ressalta que não há mais condições de adiar o assunto, sob pena de afetar a projeção de crescimento da cidade. De acordo com Piau, os rios Uberaba e Claro vão permanecer como a principal fonte de abastecimento da cidade. Ele explica que, sem o peso dos grandes consumidores industriais, estudo técnico demonstra capacidade das duas captações para suprir a cidade nos próximos 50 anos. “Precisamos apenas de construir a represa e guardar água durante o período chuvoso para acudir a situação na seca”, acrescenta, lembrando que o projeto já foi apresentado ao Ministério das Cidades, onde o Município tenta conseguir a liberação de recursos na ordem R$ 40 milhões para custear a obra. Além dessa solução para o problema da armazenagem de água, o cenário demanda uma solução específica para os grandes consumidores industriais. Segundo o prefeito, a busca de uma nova transposição no Rio Araguari foi cogitada, mas seria apenas uma medida paliativa. Ele afirma que a proposta em estudo para resolver a questão em definitivo é utilizar a água do Rio Grande para o segmento. Fernanda Borges
Paulo Piau propõe ampla discussão com a comunidade para traçar os rumos do desenvolvimento da cidade “Hoje tem indústria na cidade sendo abastecida com água mineral de poço artesiano. Isso precisa ser repensado. A água do Rio Grande é mais pesada e o tratamento, mais caro, mas pode ser opção para esses clientes dos distritos e, assim, aliviar as outras fontes de captação”, explica. Piau já colocou a equipe técnica para formatar um projeto focado na captação do Rio Grande. Existe a possibilidade, inclusive, do custo do tratamento ser compartilhado entre as empresas consumidoras. “Não vai sair no meu governo, mas queremos deixar tudo estruturado para futuro”, afirma. E o planejamento prévio não inclui somente a questão da água para beber ou produzir. O chefe do Executivo salienta que o desenho da cidade também vem sendo projetado a longo prazo para assegurar a mobilidade urbana de quem vai morar nos novos bairros, envolvendo desde a questão de ciclovias até intervenções futuras maiores, como mais corredores de ônibus. Tudo para prevenir dor de cabeça, como a experimentada nas estreitas do centro da cidade. Atendimento em Saúde, Educação, empregabilidade, Habitação, Segurança Pública e qualidade de vida compõe a pauta de ações planejadas para o futuro. Mas o prefeito argumenta que não caberá ao Poder Público solucionar sozinho essa equação. Ele afirma que a população, universidades e entidades de classe serão convocadas e envolvidas no processo. O modelo vem sendo elaborado desde 2013, em parceria com o Sebrae e a Fundação João Pinheiro. A proposta foi lançada após a divulgação do resultado do último Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Embora a cidade tenha avançado em todos os indicadores, Uberaba caiu no ranking nacional, saindo do 104º lugar na lista, em 2000, para a 210ª posição na pesquisa atual. Mais do que melhorar o desempenho no índice, o chefe do Executivo espera construir uma ampla discussão com a comunidade local e traçar os principais rumos e projetos da cidade para um horizonte de 20 anos. “Temos que aprender como envolver a sociedade nessa tarefa, a exemplo do que é feito em Barcelona e Medellin. Não podemos mais conviver com a apreensão de entrar o prefeito de um partido, pensar a cidade de um jeito, e depois de quatro anos vir o governante de outro partido e mudar tudo. É preciso estabilidade para avançar”, sentencia. Defende que cada gestor teria autonomia para eventuais correções, mas não poderia voltar atrás nas diretrizes estabelecidas no plano de metas de desenvolvimento. Em paralelo, a administração municipal está pautada na busca de projetos estruturantes para maximizar o desenvolvimento. Um dos principais itens da pauta é o gasoduto, que não apenas atenderá a fábrica de amônia da Petrobras, como irá disponibilizar uma nova matriz energética para impulsionar investimentos de outras indústrias. Dentro dessa perspectiva, a prioridade é preparar o terreno para facilitar o escoamento da produção. Uberaba já conta com posição privilegiada no mapa e está contemplada com rodovias duplicadas e/ou em fase de duplicação, mas ainda pode contar com alternativas logísticas mais modernas. Reivindicação antiga dos empresários locais, o modal ferroviário finalmente começa a sair do papel, com o investimento de R$ 250 milhões da Vale Logística para construir um terminal de cargas na cidade. A unidade está prevista para entrar em funcionamento no primeiro semestre de 2016. Paralelamente, hoje a cidade está no trajeto da Ferrovia Centro Atlântica (FCA), mas não tem a estrutura necessária para despachar a produção local de trem para o restante do Brasil. Fernanda Borges
As ciclovias são apostas do governo municipal, pensando no O embarque só pode ser feito em Araguari, o que complica e encarece o transporte ferroviário. Com o projeto da Vale, Uberaba contará com terminal próprio, dotado de capacidade para carregar anualmente 6,3 milhões de toneladas de grãos e 2,4 milhões de toneladas de açúcar. Além da produção local, o modal integrado poderá receber as cargas originárias do Mato Grosso (MT), de Goiás (GO) e do restante de Minas Gerais (MG) para enviar a mercadoria pelos trilhos ao porto de Santos. Para completar o leque de opções, a implantação do aeroporto internacional de cargas e passageiros também está no programa do município. A consolidação do empreendimento demanda prazo de 10 anos. Por isso, a proposta está sendo debatida desde agora junto ao governo federal. Na esteira do gás e da indústria, Piau pondera que também surgirá uma demanda crescente de tecnologia. Sendo assim, a consolidação do parque tecnológico deve nortear os próximos passos e políticas públicas. O projeto foi lançado há 20 anos, mas continuava no papel até ser retomado na nova gestão. O prefeito explica que o parque será uma estratégia para utilizar o polo de ensino já existente a favor do desenvolvimento. Além de atender as indústrias, Piau reforça que o intercâmbio entre as empresas e o saber produzido nas universidades pode transformar a cidade em uma referência de geração de ciência e conhecimento. Junto aos cuidados de planejamento, o prefeito acredita que este é o caminho para construir uma Uberaba capaz de desenvolver todas as suas potencialidades e permitir o mesmo para quem escolher a terra do zebu. “Temos tudo para crescer de maneira inteligente. Queremos um lugar onde as pessoas possam viver bem e ter oportunidades de estudar, trabalhar e construir suas famílias. Essa é a cidade que desejamos para o futuro”, conclui.