Ministério da Saúde já está distribuindo a dose tripla combinada, composta pelos medicamentos Tenofovir (300mg), Lamivudina (300mg) e Efavirenz (600mg), aos pessoas com HIV/Aids atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No mês passado, quando a substituição começou, o medicamento estava disponível apenas para as pessoas que iniciavam o tratamento. Agora, o medicamento é ofertado a todos os pacientes em tratamento que usam esta combinação de drogas. A medida visa a beneficiar mais de 100 mil pessoas em todo o país. O atual estoque de 90 milhões de comprimidos é suficiente para atender ao tratamento nos próximos 12 anos.
Inicialmente, Uberaba recebeu apenas 120 frascos da dose combinada para pessoas em início de tratamento. A partir de agora a nova medicação para o controle de HIV/Aids disponível para pessoas vivendo com o vírus na região está sendo usada por 170 pessoas, visando a substituir o coquetel utilizado atualmente. Hoje, há cerca de 1.570 pessoas com essa condição cadastradas na Farmácia Ambulatorial do Sistema e Controle Logístico de Medicamentos (Siclom), via Hospital de Clínicas da UFTM, Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) ou vindas de Araxá e Frutal.
Porém, segundo o médico infectologista Rodrigo Juliano Molina, nem todas essas pessoas serão beneficiadas pelo novo medicamento, porque há aqueles que utilizam outras combinações de remédios, esse comprimido não substitui. O medicamento é dispensado apenas com a apresentação de receita emitida por médico infectologista que acompanha o paciente.
Para o infectologista, a substituição do coquetel pelo medicamento pode favorecer as pessoas vivendo com HIV/Aids a aderirem ao tratamento, pois, além de ser de fácil ingestão, o novo medicamento tem como grande vantagem a boa tolerância pelo paciente, já que significa a redução da atual dose diária, de quatro comprimidos, para apenas um. Molina destaca que esquecer de tomar uma dose do coquetel pode colocar todo o tratamento em risco, porque o vírus vai se tornando mais resistente. “Hoje temos pacientes que tomam de 15 a 16 comprimidos por dia, porque já têm um vírus resistente. Por isso já é preciso combinar outras drogas”, ressalta o médico.
Atualmente, o SUS oferece, gratuitamente, 22 medicamentos para os pacientes soropositivos. Desse total, 12 são produzidos no Brasil. Segundo estudo da revista britânica The Lancet, feito em 2014, as mortes em decorrência do vírus HIV no país caíram a uma taxa anual de 2,3% entre 2000 e 2013, enquanto a média global apresenta uma queda de 1,5% ao ano.