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Seu filho passa horas no celular? Veja quando acender o alerta

Isolamento, conflitos e abandono de atividades podem indicar uso excessivo de telas

Débora Meira
Publicado em 15/08/2026 às 18:44
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Celulares e outros dispositivos eletrônicos já fazem parte da infância. Crianças cada vez menores aprendem a navegar por telas, enquanto adolescentes passam boa parte do dia conectados a redes sociais, jogos, vídeos e aplicativos. O desafio, segundo especialistas, é encontrar um equilíbrio para que a tecnologia não ocupe o espaço de atividades importantes para o desenvolvimento. 

Em entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM, o psicólogo Sérgio Marçal, da Coordenação de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde, chama a atenção principalmente para os possíveis impactos do uso excessivo na socialização de crianças e adolescentes. Para ele, o contato com a tecnologia precisa conviver com experiências presenciais em família, na escola e em outros ambientes sociais. “Eles estão perdendo o desenvolvimento natural que se dá na paridade, no convívio social e familiar, em detrimento das telas”, afirma. 

Outro levantamento citado anteriormente pelo JM apontou possíveis impactos físicos relacionados ao uso prolongado de dispositivos, como alterações posturais, dores no pescoço, prejuízos à coordenação motora e efeitos sobre a saúde ocular. Entre crianças, especialistas também destacam a importância de equilibrar o tempo de tela com atividades físicas e ao ar livre. 

Para Marçal, a solução não está em retirar completamente a tecnologia da rotina dos jovens. O celular também pode ser utilizado para estudo, comunicação e entretenimento. 

O ponto central é evitar que a tela se torne a principal forma de interação da criança com o mundo. “A gente tem que aprender a lidar”, informa.  

Na avaliação do psicólogo, a formação da criança precisa envolver diferentes experiências. O tempo conectado deve conviver com atividades físicas, estudos, brincadeiras, contato com outras pessoas e momentos em família. “A nossa formação é integral, nós vamos reduzir uma coisa só.” 

Por isso, em vez de estabelecer apenas uma proibição genérica ao uso do celular, os responsáveis podem organizar horários e criar momentos do dia sem dispositivos eletrônicos. “Você estuda quatro horas na escola, você não vai ficar seis, oito horas na internet. Vai fazer um esporte, vai fazer outras coisas”, disse.  

Além do tempo de uso, outro ponto de atenção é o conteúdo consumido pelas crianças. A preocupação aumenta à medida que os jovens têm acesso a ambientes digitais cada vez mais amplos, onde podem entrar em contato com conteúdos inadequados ou pessoas desconhecidas. 

Por isso, Marçal defende que os pais acompanhem a atividade digital dos filhos, especialmente enquanto eles ainda não possuem maturidade para avaliar determinados riscos. “É preciso que os pais estejam atentos aos celulares das crianças, dos adolescentes, saber com quem ele está conversando, o que está conversando”, ressalta. 

Para o psicólogo, esse acompanhamento deve ser entendido como uma forma de proteção diante de riscos que crianças e adolescentes ainda podem ter dificuldade para identificar. “Se ele não tem maturidade ainda suficiente e total diante dos riscos que a gente não pode controlar, é um cuidado necessário”, pontua.  

Outro desafio para os responsáveis é manter os limites quando a criança insiste para continuar conectada. Marçal afirma que ceder repetidamente pode fazer com que ela aprenda que insistir é uma estratégia para conseguir o que deseja. “O que não pode é fazer disso uma cultura. O menino joga e barganha com você, porque ele vai aprendendo que, se ele te torrar, torrar, torrar até o fim, ele vai conseguir”, explica. 

Para ele, estabelecer regras não significa necessariamente adotar uma postura excessivamente rígida. Uma rotina previsível ajuda a criança a entender os horários e limites estabelecidos pelos responsáveis. “Rotina organizar a mente. Se for pesada demais, sobrecarregue e exaure. Mas se não tiver rotina, você fica perdido”, reforça. 

O alerta não deve considerar apenas a quantidade de horas diante da tela. Também é importante observar o que está sendo prejudicado por causa dela. 

Isolamento, dificuldade de convivência, abandono de atividades que antes despertavam interesse e conflitos constantes relacionados ao celular pode indicar a necessidade de rever a forma como a tecnologia está sendo utilizada. 

O alerta não significa que celulares, computadores e outras ferramentas digitais devam ser eliminados da infância. A questão é garantir que eles sejam apenas uma parte da rotina, e não a rotina inteira. 

A orientação é que os responsáveis apresentem alternativas concretas para os períodos longe das telas, como convivência familiar, esporte, atividades escolares, brincadeiras, contato com outras crianças e experiências ao ar livre. 

No fim, o desafio para pais e escolas não é apenas controlar quanto tempo uma criança passa no celular, mas observar o que ela está deixando de viver enquanto permanece conectada. 

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