Depois da aplicação das bandeiras tarifárias, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a revisão tarifária extraordinária da energia em 28,8% para os consumidores
Depois da aplicação das bandeiras tarifárias, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a revisão tarifária extraordinária da energia em 28,8% para os consumidores atendidos pela Cemig, conforme já divulgado pelo Jornal da Manhã. A medida não vai dispensar o aumento anual da tarifa previsto para abril. E a situação já preocupa diversos setores da economia, os quais já preveem repassar o aumento nos custos da produção industrial, comercial e de prestação de serviços, inclusive públicos, como é o caso da água, para o consumidor.
O presidente do Codau, Luiz Guaritá Neto, lembra que a autarquia é responsável apenas pelo transporte e tratamento da água, que é um bem público, para o consumidor. “Cerca de 40% do nosso custo, então, para se ter uma ideia, isso abre um buraco de quase R$10 milhões por ano. Já estou pensando o que teremos que fazer, pois dessa maneira não dá para pagar a conta do mês. Vai vir a conta de energia elétrica para o Codau referente ao gasto perto de R$2,5 milhões, o que representa quase 40% da nossa receita em energia elétrica”, alerta.
Como a questão atinge diretamente a autarquia, Luiz Neto ressalta que fatalmente será necessário discutir qual será o percentual de repasse desse custo à população, ainda que, segundo o presidente, ele não seja aplicado em sua totalidade para o consumidor. No entanto, ele não revelou quando o assunto será discutido.
De acordo com o presidente da Aciu, Manoel Rodrigues Neto, a situação também é preocupante para a indústria e o comércio em geral, que também terão que repassar esses custos ao consumidor. “De maneira geral, para aquelas indústrias que são grandes consumidoras de energia, a situação pode praticamente inviabilizar o negócio, uma vez que, encarecendo o produto, se ele for exportado, pode acontecer de perder a competitividade, pois ficará com sobrepreço perdendo mercado internacional. Se for comercializado no mercado interno, a situação é que talvez o consumidor não tenha como comprá-lo. Com isso, podemos ter o fechamento de empresas, com desemprego, porque a empresa foi constituída em uma matriz energética suportável que agora está se tornando insuportável”, destaca o dirigente.