Uberaba está em alerta para o risco de uma nova epidemia de dengue em 2026, e a principal dificuldade enfrentada pela Vigilância em Saúde tem sido o acesso aos imóveis do município. De acordo com os dados apresentados no programa Pingo do J, da Rádio JM, os agentes conseguem entrar, em média, em apenas cerca de 50% dos aproximadamente 200 mil imóveis cadastrados, o que compromete diretamente o trabalho de combate ao mosquito Aedes aegypti.
O cenário se agrava diante do resultado do último Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), que apontou infestação acima de 6% dos imóveis, índice classificado como de alto risco para epidemia. Segundo o biólogo da Vigilância em Saúde, Ricardo Tibúrcio, esse aumento nos índices é recorrente no início do ano, período em que o clima mais quente e úmido favorece a proliferação do mosquito e acelera seu ciclo de vida.
Ricardo destacou que a dificuldade de acesso ocorre tanto por recusas diretas de moradores quanto por imóveis fechados no momento da visita. Muitos estão vazios durante o dia por conta da rotina de trabalho das famílias, além de imóveis permanentemente fechados, como casas para alugar, em inventário ou desocupadas, o que impede a entrada dos agentes de endemias.
O biólogo ressaltou que a atuação dentro dos imóveis é fundamental, já que o Aedes aegypti se reproduz, em grande parte, em pequenos depósitos de água. Vasos, pratinhos de plantas e recipientes aparentemente inofensivos podem servir de criadouros, e sem a inspeção detalhada feita pelos agentes, esses focos permanecem ativos.
A diretora da Vigilância em Saúde, Fernanda Oliveira, informou que os agentes também atuam aos sábados, no período da manhã até as 14h, especialmente durante mutirões. Ainda assim, o acesso continua sendo um desafio, já que nos fins de semana muitos moradores preferem descansar ou demonstram resistência à entrada dos profissionais.
Fernanda reforçou que a população costuma associar a dengue apenas a grandes reservatórios, quando, na prática, os menores criadouros são os mais comuns dentro das residências. Segundo ela, até uma tampinha de garrafa pode se transformar em foco do mosquito, o que torna o acesso aos imóveis uma das principais barreiras para evitar uma nova epidemia em Uberaba.