
A progressão dos dados mostra um crescimento gradual nos últimos anos (Foto/Reprodução)
O número de registros de violência doméstica e familiar contra a mulher voltou a crescer em Uberaba no último ano, acendendo um alerta para a importância da denúncia e do fortalecimento da rede de proteção às vítimas. Dados da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) apontam que, em 2025, foram contabilizados 3.260 casos na cidade, o maior volume desde 2023, quando houve 2.884 casos, e um aumento em relação a 2024, quando foram registradas 3.104 ocorrências.
A progressão dos dados mostra um crescimento gradual nos últimos anos. Entre 2023 e 2024, o aumento foi de 220 registros, enquanto de 2024 para 2025 foram mais 156 ocorrências. Apenas em janeiro de 2026, já foram contabilizados 257 casos em Uberaba, indicando que a violência contra a mulher segue sendo uma preocupação constante para as autoridades e para a rede de enfrentamento.
Entre as ocorrências mais registradas estão casos de violência física e psicológica, ameaça, injúria, perseguição (stalking), violência sexual e também o descumprimento de medidas protetivas de urgência. Esses crimes fazem parte do conjunto de situações que caracterizam a violência doméstica e familiar prevista na legislação brasileira e, muitas vezes, ocorrem de forma continuada dentro de relações afetivas.
Além das ocorrências registradas, os dados de feminicídio, quando a mulher é morta em razão do gênero, também reforçam a gravidade do problema. Em 2025, Uberaba teve nove casos envolvendo vítimas de feminicídio, sendo seis consumados e três tentados, o maior total dos últimos anos. Em 2024 foram quatro registros (um consumado e três tentados), enquanto em 2023 o número chegou a sete (três tentados e quatro consumados).
Segundo a Polícia Civil, alguns sinais podem indicar que uma mulher esteja vivendo em uma relação abusiva ou violenta. Entre eles estão o isolamento social, medo constante do parceiro, controle excessivo sobre rotinas e contatos, ameaças, agressões verbais frequentes e ciúmes excessivos. Mudanças bruscas de comportamento, como ansiedade, retraimento ou insegurança, também podem ser indicativos de situações de violência.
Diante de qualquer suspeita ou situação de violência, a orientação é que a vítima ou qualquer pessoa que tenha conhecimento do caso procure ajuda. O registro pode ser feito em uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) ou em qualquer unidade policial. Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190, e também há o Ligue 180, canal nacional de atendimento e orientação às mulheres.
A Polícia Civil reforça que a denúncia é fundamental para interromper o ciclo de violência e garantir proteção às vítimas. De acordo com a instituição, a atuação conjunta das forças de segurança e da rede de proteção é essencial para prevenir novos casos e combater a violência contra a mulher.