
O órgão orienta que os moradores adotem medidas preventivas, eliminando locais que possam servir de abrigo para os animais (Foto/Ilustrativa)
Entre janeiro de 2022 a janeiro de 2023, o Centro de Controle de Zoonoses contabilizou 861 atendimentos devido a infestações do escorpião amarelo, em Uberaba. O departamento faz um trabalho de orientação nos casos de alta proliferação de animais sinantrópicos, ou seja, animais que já se adaptaram às condições humanas e conseguem se reproduzir.
Segundo o chefe da Seção de Controle de Zoonoses, Luiz Gustavo Pinheiro Rodrigues, esses animais estão infestando as cidades em decorrer desta adaptação. “O escorpião amarelo é uma espécie que se adaptou muito bem ao cerrado. A primeira coisa que as pessoas pensam é que tem um mecanismo químico, um veneno imediato para fazer o controle dessas pragas. Infelizmente, não existe. Segundo o manual do Ministério da Saúde de 2009, não há nenhum produto químico que consiga eliminar uma infestação no local”, afirma.
Isso se deve ao aparelho biológico dessa espécie, que detecta elementos químicos ou não que possam prejudicá-los. “Por esse animais serem altamente aparelhados, com pelos sensoriais e uma estrutura por baixo do abdome, chamada de pécten, que faz uma varredura no local e vê se tem a presença de qualquer inseticida ou qualquer coisa que possa comprometer a prole ou a própria saúde do animal. Então, o animal sabe que existe um produto químico”, explica.
Conforme Luiz Gustavo, o controle de escorpiões é realizado quase da mesma forma que o de caramujo africano, porém, não é recomendado que o morador a coloque a mão no animal. Referente a quantidade de infestações do caramujo africano registradas no período de um ano, foram 18 casos.
De acordo com o chefe do departamento, é preciso esperar o período mais propício do dia para realizar o controle de infestação desses animais, que seria o final de tarde, quando o sol está fraco e o tempo mais fresco. “Precisa pegar um balde com cal, colocar os moluscos dentro, macerar e colocar no lixo. Só que o importante não é pegar molusco todo dia, mas a pessoa fazer o manejo no próprio quintal. Porque, às vezes, o próprio quintal pode ser um local que favorece a dispersão deles. Então, fazer a poda da grama, tirar o entulho, vedar os buracos das paredes porque eles usam muito para fazer de abrigo. Quanto mais verde for, mais atrairá este animal. E sempre usar uma luva”, analisa.
Outro serviço de orientação prestado pelo Centro de Zoonoses é a orientação contra a infestação de pombos. Em pouco mais de um ano, foram 213 atendimentos para controle dos animais. “Referente ao trabalho de controle de pombos, mesma situação do aedes aegypti, escorpiões, caramujo africano, ele se adaptou muito bem ao ambiente urbano. Mas o controle do pombo fica mais difícil, porque existe uma legislação ambiental que não permite abater a ave. Então, a gente faz no local medidas preventivas. Muitas das vezes, a oferta de alimento demais para esses animais, principalmente na área urbana, lixo, comida para cães e gatos errantes, e pontos com água também”, conta.
O chefe do departamento reforça que o controle de zoonoses não realiza os serviços de prevenção ou recolhimento destes animais, mas sim o serviço de orientação. “Então, a gente tem uma devidamente treinada para ir ao local e levar as informações, porque muitas vezes as pessoas ligam e pensam que vamos lá executar o trabalho. Nosso trabalho é de orientação. Muitas vezes a pessoa precisa fazer um trabalho estrutural no imóvel, às vezes os animais pousem e reproduzam”, finaliza.