
Advogado Públio Emilio Rocha, ex-presidente do Uberaba Sport Club, propõe a aquisição de 90% das ações da SAF (Foto/Reprodução)
A “Legado Gestão Desportiva e Participações”, representada por Publio Emilio Rocha, apresentou uma proposta formal para adquirir 90% das ações da SAF do Uberaba Sport Club. O documento foi entregue nesta quinta-feira aos integrantes do Conselho Deliberativo e à atual direção do clube.
Pela proposta, os outros 10% das ações permaneceriam vinculados ao associativo, respeitando a atual estrutura societária, o estatuto da SAF e a legislação aplicável.
O projeto prevê aportes de R$ 1,5 milhão por ano durante dez anos, totalizando R$ 15 milhões, além do pagamento de dívidas de curto prazo relacionadas ao Campeonato Mineiro de 2026, limitado a R$ 500 mil. Também está previsto o tratamento de dívidas históricas de até R$ 1,5 milhão, desde que os débitos sejam comprovados e validados.
Com a implantação de um novo Centro de Treinamento, estimado em R$ 10 milhões, o conjunto de investimentos previsto na proposta pode superar R$ 25 milhões.
A apresentação da proposta não representa a conclusão da venda da SAF. A operação ainda depende de uma série de procedimentos, entre eles a análise jurídica, societária, financeira, contábil, tributária, trabalhista, desportiva, regulatória e reputacional.
Também será necessária a confirmação da titularidade das ações, a avaliação documental dos passivos, a comprovação do encerramento de compromissos anteriores, a regularidade perante as entidades esportivas e a aprovação do negócio pelo Conselho Deliberativo.
Somente depois dessas etapas e da assinatura dos documentos definitivos poderá ocorrer a eventual transferência das ações e passarão a valer os compromissos previstos na negociação.
Os R$ 15 milhões previstos em aportes recorrentes seriam destinados prioritariamente ao futebol profissional, com a intenção de recuperar a capacidade competitiva do Uberaba.
A Legado também propõe a utilização de seguro-garantia, fiança, garantia bancária ou mecanismo equivalente para assegurar os aportes, com as condições ainda a serem estabelecidas nos documentos definitivos.
O planejamento prevê a separação entre recursos destinados à operação cotidiana, pagamento de passivos, investimentos esportivos e infraestrutura. Entre as despesas consideradas essenciais estão salários, encargos, competições, viagens, taxas federativas, atendimento médico, seguros e manutenção.
No caso das dívidas históricas, cada obrigação deverá ser identificada e comprovada, com informações sobre credor, origem, natureza, valor, atualização, garantias e eventual situação processual.
Outro ponto da proposta é a construção, em etapas, de um Centro de Treinamento destinado às equipes profissional, de base e de futebol feminino. O investimento global estimado é de R$ 10 milhões durante os cinco primeiros anos.
O projeto contempla desde diagnóstico do terreno, licenças, acessos, cercamento, drenagem e segurança até campo principal, vestiários e estruturas de apoio. Também estão previstos academia, fisioterapia, medicina esportiva, recuperação de atletas, rouparia, lavanderia, análise de desempenho, administração e manutenção.
A execução do CT, porém, dependerá da entrada de novos recursos e da existência de dinheiro disponível depois do pagamento das despesas essenciais da operação.
Com 90% das ações, a Legado exerceria o controle correspondente dos votos e dos direitos econômicos, mantendo os direitos assegurados ao associativo pela legislação e pelo estatuto da SAF.
O modelo apresentado prevê Conselho de Administração e diretoria executiva com maioria indicada pela Legado, além de orçamento anual, controles financeiros, contas próprias da SAF e regras específicas para conflitos de interesses, contratações fora do orçamento e dívidas consideradas relevantes.
O Uberaba Sport Club associativo teria uma cadeira permanente no Conselho de Administração para acompanhar os principais passos da SAF, dentro das regras de confidencialidade e dos limites estabelecidos para possíveis conflitos de interesses.
A proposta também estabelece a preservação do nome, escudo, cores, hino, história, troféus, torcida e demais símbolos do Uberaba Sport Club, além de manter a sede operacional e a identidade da instituição vinculadas a Uberaba.
Publio Emilio Rocha é ex-presidente do Uberaba Sport Club e comandou a instituição em 2003, período em que o clube conquistou o Campeonato Mineiro. Naquela temporada, a equipe teve média aproximada de 17 mil torcedores por partida e contou com jogadores como Palhinha, Gilson Batata e Milagres.
Ao apresentar o novo projeto, Publio afirmou que sua trajetória como empresário e advogado oferece condições para participar da reconstrução do clube e destacou que a proposta agora será analisada pelo Conselho Deliberativo.
A intenção apresentada pela Legado é desenvolver um modelo baseado em gestão profissional, controle financeiro, investimentos no futebol e infraestrutura, além de ampliar novamente a ligação do Uberaba Sport Club com sua torcida e com a cidade.