Estádios longe da lotação máxima, gramado fora das condições ideais, países com pouca tradição futebolística. Situações assim se tornaram frequentes nos amistosos do Brasil nos últimos anos. E, geralmente, chegam em partidas diante de adversários também sem grande expressão. Foi o caso do empate por 1x1 com o Senegal, em Singapura.
Se as circunstâncias que cercaram o jogo foram repetições que têm se tornado corriqueiras com a Seleção, a reação a elas foi inédita. Pela primeira vez, jogadores deram sinais claros de que se sentem "atrapalhados" por decisões logísticas da Pitch, a parceira da CBF que organiza e vende os amistosos.
Capitão do time, Daniel Alves afirmou que o desempenho dos atletas pode ter sido afetado. Viagem longa e fuso horário não foram os únicos pontos citados pelos jogadores. Coutinho também criticou o gramado do Estádio Nacional - e os palcos que vêm recebendo a seleção de forma geral.
"O gramado estava ruim. Em alguns jogos que estamos fazendo temos atuado em gramados bem ruins. Mas isso não é desculpa, porque é ruim para as duas equipes. Temos que melhorar, ver o que precisamos resolver e ver o que temos para melhorar", afirmou.
As educadas críticas dos atletas surgem na esteira de falas mais duras de Tite durante entrevista coletiva. "O que mais me deixou chateado foi a falta de respeito da Pitch para com a Seleção Brasileira e a de Senegal. Ela não nos proporcionou trabalhar no campo de jogo. Isso me deixou descontente, me deixou desconforme", disparou.
A Pitch não se manifestou publicamente sobre as críticas de Tite ou de jogadores. O contrato com a empresa vai até 2022. Por enquanto, não há sinais de grandes mudanças na logística da seleção - há acordo encaminhado para confrontos diante da Argentina e da Coreia do Sul, em novembro, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes. Antes disso, amanhã, o Brasil encara a Nigéria, novamente no Estádio Nacional de Singapura, às 9h.