Das 20 equipes da elite do Nacional, pelo menos 10 não quitaram no prazo previsto salários e premiações para seus jogadores na atual temporada
Com orçamentos milionários, os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro tiveram em 2019 problemas recorrentes de atrasos de pagamentos a jogadores. Das 20 equipes da elite do Nacional, pelo menos 10 não quitaram no prazo previsto salários e premiações para seus jogadores na atual temporada.
O problema atinge clubes que estão em situações distintas no torneio. Desde os que disputam as primeiras colocações, como Santos, Corinthians e São Paulo, até os que brigam para não cair para a Série B, como Chapecoense, Cruzeiro e Fluminense. Atlético, Vasco, Botafogo e Goiás completam a lista dos endividados.
Desde 2015, o regulamento de competições da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) estabelece penas, como perda de pontos, para equipes que atrasarem mais de um mês de salários a seus jogadores ou funcionários. As ocorrências devem ser denunciadas Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
"Quase nenhuma denúncia chegou ao STJD em 2019", disse o procurador-geral do órgão, Felipe Bevilacqua. Segundo ele, há receio dos jogadores e de seus representantes para levar adiante casos assim. "[O fato é que] as pessoas que teriam maior interesse não denunciam."
Segundo o presidente do Sindicato de Atletas do Estado de São Paulo, Rinaldo Martorelli, a situação dos jogadores da primeira divisão está atualmente dentro de um "limite de suportabilidade".
A temporada de 2019 marcou uma mudança no fluxo de receita dos clubes. Com o novo contrato de TV em vigor, os pagamentos foram alterados e deixaram de ser feitos em parcelas mensais iguais.
O valor total passou a depender do desempenho no torneio, do número de partidas exibidas na TV aberta e do total arrecadado com a venda de pacotes de pay-per-view. O que dificultou o planejamento financeiro dos clubes.