Lucas Figueiredo/CBF
Tite e comissão técnica apostam em grupo experiente para conquistar o torneio continental
Embalado por seu sucesso no Corinthians e pela ótima campanha nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, Tite sobreviveu na Seleção Brasileira apesar da eliminação nas quartas de final do Mundial. Um ano depois, já distante do prestígio que exibia ao embarcar para a Rússia, ele almeja seu primeiro título com a Seleção e recuperar o crédito perdido.
Ainda que a campanha tenha tido seus sobressaltos e vaias, vencer a Copa América daria força ao técnico, sobretudo com uma taça erguida sem a presença de Neymar, cortado por contusão. Já um fracasso na decisão contra o Peru, às 17h (de Brasília) de hoje, no Maracanã, pode ser o fim da linha para o técnico e para alguns de seus comandados.
Diante da pressão de triunfar em casa, especialmente após o fracasso na Rússia, Tite decidiu retardar a renovação do grupo. O planejamento estabelecido fala em "miniciclos" até 2022, ou seja: a prioridade é ganhar agora e deixar a próxima Copa do Mundo para depois.
Mantido o elenco atual até a disputa no Qatar, os atletas teriam em média 30,7 anos no Mundial, o que significaria a maior marca do Brasil em toda a história do Mundial. Esse número provavelmente será reduzido ao longo das próximas três temporadas, com ou sem Tite, mas ilustra a ideia de que se deu preferência ao curto prazo.
Favoritismo. Apesar das dificuldades, o anfitrião da Copa América carregou o favoritismo desde o início e foi confirmando essa condição, com maior ou menor dificuldade. A melhor apresentação foi ainda na primeira fase, diante do Peru, uma goleada por 5x0 que afastou as vaias.
Àquela altura, parecia improvável um reencontro com os peruanos, que se classificaram com o terceiro lugar do Grupo A e cresceram. No mata-mata, surpreenderam o Uruguai, vencendo nos pênaltis após empate sem gols, e derrubaram com autoridade o bicampeão Chile: 3x0.
Nem tão diferente, espera Tite. Não há necessidade de nova goleada no Maracanã. Bastará uma vitória que dê à Seleção seu primeiro título continental após 12 anos de fracassos na Copa América. Para isso, o técnico gaúcho deverá repetir a escalação adotada no triunfo sobre os argentinos, na semifinal.
Filipe Luís já está recuperado do problema muscular que o incomodava, mas dificilmente seu elogiado substituto na lateral esquerda, Alex Sandro, voltará ao banco. Marquinhos, que precisou deixar o último jogo por um mal-estar decorrente de virose, está confirmado. Lesionado, Willian está fora da decisão.
Brasil. Alisson; Daniel Alves, Thiago Silva, Marquinhos e Alex Sandro (Filipe Luís); Casemiro; Arthur, Philippe Coutinho, Gabriel Jesus e Everton; Roberto Firmino. T.: Tite
Peru. Gallese; Advíncula, Zambrano, Luis Abram e Trauco; Tapia, Yotún; Carrillo, Cueva e Edison Flores; Paolo Guerrero. T.: Ricardo Gareca.