Quatro em cada dez brasileiros que estão inadimplentes hoje estavam com nome negativado também há uma década, segundo levantamento inédito sobre os 10 anos do Mapa da Inadimplência da Serasa, divulgado nesta quarta-feira (25/3).
Segundo a entidade, o dado de reincidência aparece em um cenário de avanço consistente da inadimplência no país. Ao longo dos últimos 10 anos, o número de brasileiros com contas em atraso cresceu 38,1%.
Na fotografia mais recente, referente a fevereiro de 2026, o país alcança 81,7 milhões de pessoas em situação de inadimplência. Ao todo, são mais de 332 milhões de dívidas — volume 43% superior ao registrado em 2016. Como consequência, a dívida média por consumidor avançou 12,2%, passando de R$ 5.880,02 para R$ 6.598,13, considerando valores corrigidos pela inflação entre os anos.
“O avanço da inadimplência ao longo da última década reflete uma combinação de fatores econômicos e comportamentais”, afirma Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira. “O período foi marcado por juros elevados e pressão inflacionária, que impactaram diretamente o orçamento das famílias. Ao mesmo tempo, houve ampliação do acesso ao crédito, muitas vezes sem o devido planejamento, levando parte dos consumidores a utilizá-lo como complemento de renda, e não como um recurso pontual”.
O estudo também mostra transformações no perfil dos consumidores endividados, com destaque para o avanço da inadimplência entre a população com mais de 60 anos. Em 2016, esse grupo representava 12,23% do total de inadimplentes — a menor participação entre as faixas etárias. Dez anos depois, o cenário se inverte: enquanto os jovens de 18 a 25 anos reduzem sua participação em 4 pontos percentuais, os consumidores acima de 60 anos ampliam sua fatia em 7 pontos percentuais.
Outra mudança relevante é a de gênero. Ao longo da década, as mulheres passaram a ser maioria entre os inadimplentes. Em 2016, elas representavam 49,8% do total, ante 50,2% dos homens. Hoje, somam 50,5%, enquanto eles respondem por 49,5%.
Reincidência reforça desafio estrutural da educação financeira, diz especialista
Ao analisar o contingente de brasileiros que estão inadimplentes e estavam na mesma situação há dez anos — 34 milhões de consumidores —, a especialista Aline Vieira destaca a importância do planejamento financeiro para garantir estabilidade a longo prazo.
“Negociar as dívidas é um passo fundamental, mas o acesso a condições facilitadas precisa vir acompanhado de informação e organização, para que o consumidor consiga manter o equilíbrio de forma sustentável”, afirma. “Ao combinar oportunidades com ações contínuas de educação financeira, como oferecemos em nossos mutirões, ajudamos a transformar hábitos e evitar o retorno à inadimplência”.
Fonte: O Tempo.