Em Minas Gerais, em um grupo de cinco meninos de 13 a 17 anos, pelo menos um admite ter praticado bullying contra colegas em escolas públicas ou privadas no intervalo de um mês. Eles são maioria entre os estudantes que confessam humilhações repetitivas, que cresceram nas comunidades escolares do estado nos últimos cinco anos, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada nesta quarta-feira (25/3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Conforme o levantamento, em 2024, ano da coleta de dados, 28,3% dos estudantes adolescentes afirmaram ter sido humilhados por provocações de colegas da escola duas ou mais vezes dentro de um mês. Isso significa que cerca de 1 em cada 4 alunos em Minas Gerais, ao ser "zoado" ou intimidado, se sentiu aborrecido.
Para se ter ideia, na edição anterior da PeNSe, em 2019, o bullying apareceu em 22,1% dos relatos dos estudantes mineiros, ou seja, houve um aumento percentual de 6,2 pontos percentuais em cinco anos.
Entre os agressores, as meninas representam metade do número dos meninos. Entre elas, é preciso reunir 10 adolescentes para que uma confesse ter humilhado colegas de turma — 10,0% das meninas admitem as agressões, contra 18,8% dos meninos. Por outro lado, mais garotas se apresentam como vítimas de bullying: 31,1%, enquanto, entre os meninos, esse percentual é de 25,5%.
"O bullying escolar, caracterizado por comportamentos agressivos repetitivos e intencionais, que representam desequilíbrio de poder entre os envolvidos, compromete significativamente a experiência escolar dos estudantes, afetando sua autoestima, aprendizagem e permanência na escola", alerta trecho do levantamento do IBGE.
Motivações
Entre os principais motivos que levam estudantes de Minas Gerais a sofrer bullying, segundo eles mesmo relataram, estão a aparência do rosto (30,9%), a aparência do corpo (27,2%) e cor ou raça (13,2%). Este último quase dobrou em relação ao percentual apurado em 2019 (6,9%) e, a depender da vítima, configura racismo.
Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe)
O IBGE coletou dados de 4.933 estudantes mineiros de 13 a 17 anos, do 7º ano do ensino fundamental ao 3º do ensino médio, das redes pública e privada, para a PeNSe, um dos principais levantamentos sobre a saúde dos escolares no país, que investiga hábitos, comportamentos e condições de saúde.
Fonte: O Tempo.