BRIGA FAMILIAR

A eleição acabou. E agora, como fica a família depois das brigas por política?

Psicóloga explica por que discussões eleitorais atingem vínculos tão próximos e o que ajuda a reconstruir a convivência

Débora Meira
Publicado em 07/10/2026 às 09:48
Compartilhar

As eleições podem terminar nas urnas, mas as divergências políticas nem sempre ficam para trás. Dentro de algumas famílias, opiniões diferentes sobre candidatos, partidos e projetos políticos podem desencadear discussões intensas e até provocar afastamentos. Para a psicóloga Ilcéa Borba, parte desse conflito está relacionada à expectativa de que pessoas que fazem parte do mesmo núcleo familiar tenham pensamentos e valores semelhantes. 

Segundo a especialista, justamente por a família ser um espaço marcado por vínculos e identificação, pode existir uma expectativa de que seus integrantes reconheçam uns aos outros a partir de ideias semelhantes. Quando isso não acontece, a divergência pode causar estranhamento. “O ambiente familiar, sustentado pela raiz da semelhança, cria uma expectativa de reconhecimento igualitário, totalmente questionável”, explica. 

 (Foto/Reprodução)

(Foto/Reprodução)

Para Ilcéa, a capacidade de lidar com essa diferença está relacionada à maturidade dos envolvidos. Em vez de tentar eliminar o pensamento divergente, é necessário reconhecer que pessoas próximas também podem ter opiniões diferentes, contraditórias ou até incompatíveis em determinados assuntos. “A maturidade de todos os envolvidos abre espaço para aceitação do divergente ou até mesmo diferente e contraditório”, afirma. 

A intensidade de algumas discussões políticas também pode estar relacionada à maneira como cada pessoa enxerga os próprios valores. De acordo com a psicóloga, essas referências ajudam a construir uma sensação de segurança individual. Por isso, quando alguém próximo apresenta uma visão completamente diferente, a divergência pode ser percebida como uma ameaça àquilo que a pessoa considera fundamental. “Os valores pessoais são instrumentos de segurança própria”, explica Ilcéa. 

Segundo ela, o contato com uma opinião divergente pode provocar questionamentos justamente porque coloca diferentes formas de compreender o mundo dentro do mesmo espaço familiar. 

Para Ilcéa, uma convivência saudável não depende de eliminar as diferenças, mas de aprender a lidar com elas. A especialista defende que o contato com pensamentos distintos pode ser uma oportunidade de ampliar perspectivas, em vez de representar uma ameaça aos vínculos. “Aceitar as diferenças que enriquecem em contraposição à igualdade asfixiante”, resume. 

Nesse sentido, estabelecer limites pode ser importante quando as conversas políticas começam a provocar desgastes. Reconhecer que nem toda conversa precisa terminar com um vencedor também pode ajudar a preservar as relações familiares. 

Quando uma discussão mais grave já aconteceu, a retomada do diálogo também exige uma mudança de perspectiva. Para a psicóloga, a relação não deve ser transformada em uma disputa para definir quem está certo ou errado. “Não existe certo ou errado. A verdade está na oposição enriquecedora em contraposição ao ostracismo da igualdade impositiva”, afirma. 

Na avaliação da especialista, reconhecer o pensamento do outro como uma possibilidade de aprendizado pode ajudar a reconstruir o diálogo e preservar a relação mesmo diante de posições políticas opostas. “O pensamento do outro deve ser visto e sentido como enriquecimento. Crescer é admitir o contrário e não exigir xerox de tudo”, conclui.

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Logotipo JM OnlineLogotipo JM Online

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

Logotipo JM Magazine
Logotipo JM Online
Logotipo JM Online
Logotipo JM Rádio
Logotipo Editoria & Gráfica Vitória
JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por